Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sexta-feira, junho 27, 2008

500 Funchais - Cidade Pessoal


Estreia segunda-feira na RTP-Madeira depois do Culturalmente. Uma produção Die4films Audiovisuais. Acompanhe o blog da série em http://500funchais.blogspot.com

“De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas”
Italo Calvino

As cidades passam por processos históricos, sociológicos e económicos que, ao longo dos anos e dos séculos, acabam por deixar marcas que se traduzem de uma forma particular na sua configuração espacial e que são, por isso também, imagem da sua própria memória.

A cidade é uma construção no espaço, mas tão vasta que os nossos sentidos deixam de alcançar o espaço quando este existe mais além. Apreendemos, por isso, a cidade por partes e nesse processo a nossa mente retém as memórias e os significados mais importantes, que mais nos marcam ao longo da vida, de algum modo associando-os ao espaço que suporta fisicamente esses acontecimentos; estabelecem-se assim relações com partes da cidade, as quais se transformam nas mais significantes. Nada se conhece em si próprio, mas sim em relação ao seu meio ambiente, à cadeia precedente de acontecimentos, à recordação de experiências passadas.

Na década de 70 o urbanista Kevin Lynch criou uma metodologia que permite aos indivíduos a construção de um mapa mental da cidade. Apesar de construirmos uma imagem muito pessoal da urbe, tal idealização baseia-se em realidades materiais concretas resultantes do modo como os indivíduos observam, percebem e transitam no espaço urbano.

O material transforma-se em simbólico, traçamos as fronteiras da nossa cidade pessoal com base em elementos estruturadores do ponto de vista geográfico, mas que para nós possuem um significado pessoal.

A “nossa” cidade é diversa da cidade geográfica… Uma rua, uma margem… uma maneira pessoal de sentir a cidade...

Uma cidade tem os seus monumentos, as suas ruas importantes, a sua arquitectura. No entanto, o quotidiano de um cidadão raramente passa pela Sé Catedral ou pelos paços do Concelho. É a casa onde nasceu, a rua que percorre todos os dias a caminho do trabalho, o sítio onde toma café. É este o Funchal de quem o habita.

A arquitectura de Barcelona não é apenas o Gaudí. A arquitectura do Funchal não é só a Sé Catedral. É também as casas das pessoas, as ruas que lhes dão acesso, os prédios que aqui existiam antigamente.

Ao longo de dez episódios acompanhamos individualidades da sociedade madeirense nos seus trajectos pessoais pela cidade do Funchal, enquadrando, histórica e arquitectonicamente, a subjectividade intrínseca ao discurso pessoal.

O discurso surge num tom informal, em trânsito pela cidade, percorrendo os seus passeios, ruas, jardins, edifícios, que marcam a vivência pessoal do convidado. Aqui é o guia da sua cidade.

Percorremos o Funchal das memórias que povoam o seu percurso do dia-a-dia. O café que frequenta, a banca de jornal, a esquina que o viu crescer, o jardim do primeiro beijo, as ruas das tropelias de infância, o edifício onde o homem se tornou no profissional.

10 convidados, 10 episódios, 10 cidades diferentes dentro de uma mesma cidade.


quinta-feira, junho 26, 2008

A normalidade segue dentro de momentos.

Dois dias antes da Final do Euro 2004 morreu um dos grandes vultos da escrita portuguese, Sophia de Mello Breyner Andersen, facto que passou completamente despercebido à maioria dos portugueses.

No dia em que o Primeiro Ministro Durão Barroso demitiu-se, também em pleno Euro 2004, as televisões nconcederam 55 minutos de cobertura da notícia contra 5 horas de notícias sobre futebol.



Antes do Euro 2008 a noção da vivência de uma crise generalizada era transversal a toda a sociedade. Durante o decorrer do torneio assistimos (?) à greve dos camionistas, à greve no sector das pescas, ao já comum aumento sucessivo do preço dos combustiveis, buzinões, etc. mas todas essas questões foram remetidas para segundo plano. fizemos um parentesis na "normalidade".

Durante semanas o nevoeiro verde e vermelho instalou-se, mas mais uma vez o D. Sebastião não emergiu da névoa transfigurado em Taça.

Depois da derrota de Portugal, (ou da equipa de Portugal?) o Presidente da República relembrou-nos que " Há vida e desafios para lá do futebol e são esses desafios que temos que enfrentar, olhar para o futuro e não ficar agarrado ao passado."

Bem vindos à realidade, o mundo não esperou por ninguém... Mas afinal o dia de ontem já passou?

sexta-feira, junho 06, 2008

Anúncio Oficial - Diário da República n.º 3214/2008 de 6 de Junho

Art. 1.º

De acordo com n.º 1 alinea b) do DL n.º 344/2008 declara-se que a crise em Portugal encontra-se suspensa a partir das 17:00 do próximo dia 7 de Junho até ao máximo dia 29 de Junho de 2008.

Art. 2.º

Durante este período é expressamente proibido referencias às seguintes situações:

a) O aumento dos preços dos combustíveis

b) O aumento do preço dos bens essenciais à excepção de referencias ao preço exagerado de produtos alcoólicos derivados da cevada.

c) A remota possibilidade do FCP não estar presente nas competições europeias na próxima época.

d) Da tristeza que é o Benfica

e) Do fado Sportinguista e a sua colecção de taças de segunda linha.

f) Aquecimento global

g) Onde está o Alberto João

h) Ao Sócrates

i) À Manuela Ferreira Leite.

j) Todos e mais alguns assuntos deprimentes que não estejam aqui contemplados.

Art. 3.º

Durante este período os seguintes direitos são salvaguardados uma vez que ninguém dará por eles:

a) Aumento do preço dos combustíveis

b) O aumento do preço dos bens essenciais à excepção do preço de produtos alcoólicos derivados da cevada.

c) A criação de um novo imposto qualquer

d) Remodelações do governo

e) Demissões de Governo

f) O Alberto João fazer uma visita à Madeira

g) Discussões de nível na Alram

h) Adjudicação directa de obras superiores a 4859€ por parte da Câmara Municipal do Funchal

i) Despedimentos colectivos

j) Aumento do desemprego.

k) O Brazão de Castro admitir que realmente as coisas não andam lá muito bem…

Art. 4.º

A revogação da crise perde efeito de forma imediata a partir do momento que o Cristiano Ronaldo comece a chorar.

 
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