Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quarta-feira, março 05, 2008

Fronteiras...

Dizem que apenas existem duas certezas na vida, a morte e que todos os rios acabam no mar, se a primeiro principio é indubitável a segundo é falacioso. Contrapondo o senso comum o rio Okavango desagua no deserto do Kalahari, desaparece sobre as suas areias....

Mas existe outra certeza, uma ilha é definida pela sua fronteira liquida a 360º .. A ilha não proporciona equívocos, desencontros, estamos lá cruzamos-nos, não há hipótese urgente de fuga... As ilhas também são faróis, referencias geográficas, e a um nível mais pessoal, referencias simbólicas, ponto de encontro inevitável no meio do deserto azul... É recorrente esta minha abordagem ao sentimento ilhéu, sinceramente não sei porque, talvez do dia ventoso de hoje que encapelava o mar. Não sou saudosista, não tenho sentimentos independentistas, considero-me um cidadão do mundo! E que melhor lugar para ser um cidadão do mundo do que numa ilha? A minha auto-estrada segue em todas as direcções.. como o foco do farol, 360º que abraçam o mundo, Não tenho Via Verde, tenho Via Azul!


Passei anos fora , atravessei fronteiras terrestres onde se não fosse uma qualquer indicação toponímica as diferenças entre o aqui e ali apenas seriam percebidas gradualmente. Sei que não estou em Portugal porque a placa anuncia Espanha, se adormecesse só passados alguns quilómetros depois de acordar é que diria “Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore”. Com a fronteira liquida a mudança não dá lugar a incertezas, conseguimos definir o momento exacto em que passamos para o outro lado do espelho, a fronteira não é uma linha imaginária ,esta ali em frente a minha janela, uns dias mais azul, outros (como hoje) pontuada por cristas brancas. E não é apenas uma passagem entre um país e outro, a minha fronteira é porta para o mundo inteiro!

2 Comments:

Blogger stanica said...

Gostei muito desta tua abordagem quanto ao sentimento de ser ilhéu. Gosto particularmente da "via azul". ;)

Em conversa são inúmeras as vezes que me dizem que a ilha é muito bonita e tal, mas que não se imaginam a viver permanentemente por lá, porque é demasiado circunscrito, não havendo possibilidade de fuga. Associando a vivência na ilha à ideia de claustrófobia.

A minha resposta é sempre a mesma... Claustrofóbico é não ver e sentir o mar, não me sentir aconchegada pela tal fronteira líquida a 360º, tal como referes. O que amedronta alguns, é o meu conforto, a minha essência diria.

Faz-me muita falta a "janela azul" que está sempre presente, e essa sim e muito bem dito por ti, é a porta para o mundo inteiro.
Pensamentos inconcebíveis para alguns. Em parte compreendo porquê... porque só quem lá nasce o sente, e isso não se pode exigir a todos. Somente alguns podem sentir-se afortunados por lá terem nascido e vivido...

11/3/08 21:03

 
Blogger MB said...

Quem é vivo sempre aparece!estava-me a sentir sozinho nesta sala virtual lol. brinda-nos com um dos teus sempre pertinentes posts!

12/3/08 17:41

 

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