Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sábado, março 15, 2008

O Corpo Eléctrico do Grupo Dançando com a Diferença

Jornal da Madeira / Cultura / 2008-03-15

“Corpo Eléctrico” vai a Cannes





No próximo dia 29 de Abril, celebra-se o Dia Mundial da Dança, uma efeméride que é assinalada com a estreia no Centro das Artes da Calheta, do documentário “O Corpo Eléctrico do Grupo Dançando com a Diferença”, que está a ser realizado por José Filipe Ferraz e produzido por Marta León e por Magno Bettencourt, da Die4Films Audiovisuals. Esta produtora vai levar “Corpo Eléctrico’ ao Mipcom em Cannes “com o objectivo de exibi-lo e distribui-lo internacionalmente através de canais generalistas e temáticos”, como divulgou ao nosso matutino. Actualmente, está à procura de um patrocinador exclusivo, que apoie os custos de promoção do projecto, acrescentou ainda a produtora.
O documentário terá a duração aproximada de 80 minutos, resultado do acompanhamento da Die4films durante nove meses do dia a dia do grupo Dançando com a Diferença. “Acompanhou os ensaios, viajou com o grupo, testemunhou espectáculos com casas cheias e ovações de pé, na Madeira, em Moscovo e no Continente”, refere a produção. Aliás, a própria admite o “oportunismo” do projecto: “criar um produto audiovisual de valor internacional, válido por si e não por uma especificidade regional qualquer. E são essas as características do projecto Dançando com a Diferença: Um grupo de bailarinos, que podem não ser capazes de executar exercícios de dança clássica, mas que sabem dançar, que dançam grandes coreógrafos (Clara Andermatt, Henrique Rodovalho), que chocam, emocionam, provocam”.
De referir ainda que “O Corpo Eléctrico” é baseado num poema de Walt Whitman, assumindo-se como um “documentário sobre a condição humana, sobre um grupo de pessoas que faz as coisas o melhor que pode e sabe, sobre a dança como expressão da alma”.

Paula Abreu

quinta-feira, março 13, 2008

O que acontecerá à Revolução Cubana agora?



No preciso momento estou a ler um livro que me foi oferecido por uma amiga no Natal que passou, e nada mais interessante do que estar a lê-lo tendo em conta os acontecimentos recentes que concernem à mais famosa ilha das Caraíbas. Não vale a pena fazer grandes referências à situação da ilha desde que Fidel Castro assumiu o poder, visto que de uma forma ou de outra ninguém é indiferente à sua história e impacto no panorama mundial do século XX. Com maior ou menor pormenor todos sabemos o que representa Cuba e a sua Revolução.

Aparte de ideologias ou fervores políticas, o que me intrigou no livro, sendo esta a vertente que me interessa focar, foi o relato da longa e intrigante amizade que une dois grandes ícones do século XX, nomeadamente Fidel Castro e Garcia Marquez. Desconhecia tamanha amizade (para aqueles que já o sabiam perdoem-me a ignorância) que coloca lado a lado duas figuras de grande destaque da América Latina, cada um à sua maneira, que fizeram história.

Sou fã da literatura latino-americana, contudo, não me considero uma autêntica fã dos livros de Garcia Marquez. Admiro-o enquanto escritor, mas não será este um autor de eleição da minha parte. Não obstante, e à medida que dedico a minha leitura a este livro sobre a amizade de Fidel e Gabo, não consigo deixar de pensar que muito provavelmente terei que ler as suas obras novamente, visto que estarei mais contextualizada com a forma e motivação que o leva a escrever. Talvez o tenha mal interpretado ou então não tenha atingido as verdadeiras mensagens dos seus livros. Gabo passou a ser na minha cabeça, aquilo a que chamo de cínico tanto para o bem como para o mal… Se lerem o livro, e aconselho-o essencialmente pela vertente didáctica do mesmo sobre uma dada época histórica, perceberão porque o considero cínico.

Ao longo do livro, e como não podia deixar de ser, são mencionadas um sem número de figuras da camada política e intelectual. Entre eles e este é quem quero referir, uma vez que o título deste post é “o que acontecerá à Revolução Cubana agora?”, é o irmão de Castro, Raul Castro.
Até ler o livro a opinião que tinha quanto às possíveis orientações de Cuba nos próximos tempos com Raul Castro à frente da Ilha, eram outras. Depois de lê-lo começo a ter uma percepção que até então não tinha. A esperada abertura ao “mundo” não sei se acontecerá… Todavia as perguntas pairam no meu pensamento, se será que vai haver uma mudança na linha política deste irmão mais novo, ou manter-se-á o mesmo esquema que reina desde a década de ’60 do século XX nesta ilha das Caraíbas? Estarão só à espera que Fidel morra, ou a sua morte não terá impacto no futuro da Ilha?

quarta-feira, março 05, 2008

Fronteiras...

Dizem que apenas existem duas certezas na vida, a morte e que todos os rios acabam no mar, se a primeiro principio é indubitável a segundo é falacioso. Contrapondo o senso comum o rio Okavango desagua no deserto do Kalahari, desaparece sobre as suas areias....

Mas existe outra certeza, uma ilha é definida pela sua fronteira liquida a 360º .. A ilha não proporciona equívocos, desencontros, estamos lá cruzamos-nos, não há hipótese urgente de fuga... As ilhas também são faróis, referencias geográficas, e a um nível mais pessoal, referencias simbólicas, ponto de encontro inevitável no meio do deserto azul... É recorrente esta minha abordagem ao sentimento ilhéu, sinceramente não sei porque, talvez do dia ventoso de hoje que encapelava o mar. Não sou saudosista, não tenho sentimentos independentistas, considero-me um cidadão do mundo! E que melhor lugar para ser um cidadão do mundo do que numa ilha? A minha auto-estrada segue em todas as direcções.. como o foco do farol, 360º que abraçam o mundo, Não tenho Via Verde, tenho Via Azul!


Passei anos fora , atravessei fronteiras terrestres onde se não fosse uma qualquer indicação toponímica as diferenças entre o aqui e ali apenas seriam percebidas gradualmente. Sei que não estou em Portugal porque a placa anuncia Espanha, se adormecesse só passados alguns quilómetros depois de acordar é que diria “Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore”. Com a fronteira liquida a mudança não dá lugar a incertezas, conseguimos definir o momento exacto em que passamos para o outro lado do espelho, a fronteira não é uma linha imaginária ,esta ali em frente a minha janela, uns dias mais azul, outros (como hoje) pontuada por cristas brancas. E não é apenas uma passagem entre um país e outro, a minha fronteira é porta para o mundo inteiro!

Cinema- Dancer in the Dark

Ontem ganhei coragem e revi um dos grandes filmes da minha vida.... pensei que com o tempo a sensação de angústia atenuava... Estranho, não costumo impressionar-me com filmes, mas ainda lembro-me daquela sala de cinema quase vazia... gritos autênticos em surround...aquela sensação de desconforto....Chamem-me masoquista mas não consegui resistir a mais uns murros no estômago....

Inevitável... voltei a esquecer que é apenas uma personagem e a sensação de angústia voltou... agora amplificada por saber estar a assistir a uma crónica de morte anunciada....

Ai....e aquela “quase” última cena....Regra número 6 do manifesto Dogma 95- O filme não pode conter nenhuma acção superficial...

(ATENÇÃO SPOILER: esta é a última, ou "quase" última, cena do filme)



Next to last song....


This isn't the last song
there's no violin
the choir is quiet
and no one takes a spin
this is the next to last song
and that's //////////////

 
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