A prostituição de rua é um fenómeno que não pode ser ignorado na região. Nos últimos anos temos assistido a um crescendo inegável de mulheres que pelas mais diversas razões vêm-se obrigadas a enveredar por trajectos excludentes. A prostituição é um fenómeno social que tem atravessado séculos, ora consentida, ora reprimida e perseguida, em nome da moral e bons costumes e da saúde pública, ora readmitida e tolerada de forma a evitar mal maior, logo ,tida como um mal necessário.
Ao lado de todas as explicações para essa profissão, e dos preconceitos em torno de quem a pratica, não existe uma intenção clara de erradicar a prostituição. A luta de forças parece dar-se no terreno da reclusão das mulheres em zonas, especificas do tecido urbano conotadas com tal prática. Essa prática seria um "mal necessário", parte integrante de sociedades forjadas na desigualdade de bens e consumo.
No entanto, encarar tal problema como um “mal necessário” não implica ignorar a sua existência., há que criar condições para que estas mulheres quebrem o ciclo vicioso de exclusão em que caíram, transformando-o numa espiral ascendente de integração. O primeiro passo no sentido da integração, passa pelo diagnóstico da situação. Empiricamente, constatamos que de dia para dia o numero de prostitutas de rua aumenta na região, existindo ruas sobejamente conhecidas por serem as principais montras desse negocio degradante para a mulher. Há que perceber as necessidades que movem essas mulheres de forma a encontrar ferramentas de intervenção que permitam a devolução da dignidade que lhes assiste.
A prostituição sempre carregou e continua muito próxima a outros problemas subjacentes, crime, droga, tráfico de mulheres, pobreza, desemprego. È também sinal da crise que se instala, com a falta de acesso ao mundo do trabalho, os sujeitos a quem é vedada a entrada licita no mercado de trabalho, a médio prazo tendem a enveredar por vias ilícitas e degradantes da condição de cidadão de plenos direitos. Tal facto é agravado pela falta de respostas institucionais e politicas sociais que acautelem o surgir de tais fenómenos. È por isso urgente a criação de uma equipa multidisciplinar que analise a abrangência do fenómeno na região, fazendo um estudo profundo dessa realidade encoberta. Tal diagnóstico é necessário no sentido de implementar medidas efectivas adequadas as características especificas do grupo em questão.
Vários estudos apontam que os centros de prostituição têm maior incidência em zonas comerciais e turísticas com implicações ao nível da insegurança e degradação da qualidade por via das questões subjacentes, referidas anteriormente. Não é de hoje que lazer, turismo e sexo estão relacionados, vários destinos a nível mundial, carregam o estigma de destinos de turismo sexual, tal conotação, é extremamente danosa levando em ultima estância a um decréscimo na procura do destino por via da degradação da oferta advente do elemento estigmatizante.
Apesar de estar convictos que na região ainda não atingimos tais níveis, corremos o risco, se a actuação não for imediata, de assistir a um aumento exponencial da oferta. Margarida Barreto (1995) define o turismo como “ uma actividade em que a pessoa procura prazer por livre e espontânea vontade. Portanto, a categoria de livre escolha deve ser incluída como fundamental no estudo do turismo”. Tal definição acentua o carácter hedonístico associado ao turismo, Se não agirmos sobre a oferta a procura aparece, dando azo a uma economia paralela q poderá degradar o destino Madeira a médio prazo. Por conseguinte, esta é a altura ideal de intervenção, procurando conhecer as razões que conduzem a tal opção de vida de forma a combate-las, eliminado de raiz as causas que levariam a pessoa a optar por tal via desesperada de sobrevivência económica. Não falo de repressão mas de integração, combater as causas, não as vitimas. Dar oportunidades, não impor vontades!