Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sexta-feira, julho 20, 2007

Uma vez português, para sempre ignorante?

Um desabafo:

Queria neste pequeno texto demonstrar a minha indignação pelo facto dos portugueses, continuarem a serem como são.

O povo lusitano têm, sem margens para dúvidas, um carácter peculiar. Tem imensas virtudes, e reconhecidas capacidades. São um povo acolhedor, respeitoso, disponível, e todos aqueles adjectivos que os estrangeiros utilizam para nos classificar. O português gosta de mandar, adora saber que acha que tem poder, adora dar ordens àqueles que acha que estão subordinados. O português esquece-se, porém, que também é preciso saber mandar... O português tem opinião para tudo, tem ideias sobretudo e todos. Vivem num estado de complacência produtiva, mas quando lhe perguntam uma coisa, não se retraem a responder. O português esquece-se que muitas das vezes não tem conhecimento sobre quase nada e portanto, mais valia estar calado. O português é sem dúvida um indivíduo comodista, sem grandes preocupações e quando as tem resolve com o calão e a má educação. Ora, isto pode ser visto das duas maneiras, ou apanhamos alguns tiques do republicanismo, "esse regime de coisas" segundo Vasco Pulido Valente, que se instalou de forma virulenta sem legitimidade e quando o povo mal sabia distinguir um boletim de voto com o papel da mercearia, ou então estamos a ganhar novos carácteres na personalidade social. Como muitos de vós deveis saber, o republicanismo foi instaurado em Portugal a 5 de Outubro de 1910. Anterior a esse período, o nosso país era uma gaffe em termos parlamentares. O rotativismo imperava e continuou a imperar até à chegada do Dr. Salazar, o clientelismo e o caciquismo perdurava. Os vicíos desse corrupto sistema parece que ainda não foram ultrapassados.

Isto tudo para dizer que, durante uma vergonhosa aula numa universidade de Portugal, fui testemunha e interveniente num episódio hilariante que colmatou com a minha observação de que a pedagogia dos docentes vale menos que um Fiat Panda. Ora estavamos numa aula a discutir assuntos internacionais, inseridos num continente específico. A conversa ia bem, até ao momento em que o docente se lembra de estabelecer uma comparação sociológica entre o português, vulgo povo latino, e os povos escandinávos ou nórdicos. Ao povo latino jorravam benesses e elogios (o que não ponho em causa), aos nórdicos começou por dizer que partilhavam um carácter social frio, sem grandes amizades e capazes de denunciar o seu próprio amigo se estes tivessem faltado ao seu compromisso fiscal, o pagamento de impostos...ao que completa com, "os portugueses são pessoas melhores, não fazem isso a um amigo..." Ora, moi men e um colega, estupidificados por tal afirmação, insurgimo-nos e perguntamos ao professor onde estava a pedagogia ao qual ele nos respondeu, "voçê não sabe de nada".... posteriormente prontificou-se a emendar o raciocínio e concluiu rectificando que não era bem aquilo que ele queria dizer...Pois bem, temos um docente que não se sente injustiçado, se um amigo não exercer essa responsabilidade social... Esta frase do "voçê não sabe de nada", havia já sido repetida anteriormente quando o mesmo docente numa outra circunstância pretendendo iniciar uma discussão com um colega, utilizou esta agora famosa forma de pedagogia.

Alguém se lembra do que Afonso Costa, este pseudo-idóneo republicano, disse quando chefiava a delegação portuguesa na Conferência de Versalhes em 1919, após substituir o génio do Dr. Egas Moniz? Ora Portugal que havia participado na guerra, ficava de fora da SDN - o nosso país sofria um período de marginalização internacional fruto da tomada de poder republicano - e a Espanha que se havia declarado neutral é convidada a participar na Aliança. Sentido-se injustiçado e enfurecido, Afonso Costa no "arauto da sua inteligência" lembra-se de reclamar: "Se Portugal não entra, então devolvam-nos Olivença!!" Mais tarde ouve uma frase em Lisboa, "voçê não sabe de nada!".

Mais algum candidato para a Direcção Regional de Educação do Norte?

1 Comments:

Blogger stanica said...

Fico deveras admirada com tal tomada de posição. Para além de demonstrar uma grande falta de pedagogia do docente, diminuindo a opinião dos alunos, onde o debate é suposto ser aberto e livre.
Confesso que será das poucas pessoas que partilhará desse ponto de vista, até porque por norma os países nórdicos servem sempre de bom exemplo de como uma sociedade bem estruturada deveria de ser.

No que toca à personalidade "fria" que se atribui aos nórdicos creio que é mito, pelo menos no que toca à minha experiência pessoal.
Os países escandinavos em particular não conheço. Todavia, por entre algumas viagens que tenho feito, designadamente para a Holanda, Áustria e para a Alemanha, deparei-me com extrema simpatia da população, sendo que são deveras atenciosos para com os estrangeiros. E atrevo-me até a dizer que tão bem educados os portugueses não seriam!
Para além de que sendo natural da Madeira, onde o turismo desses países foi sempre bastante intenso na ilha, a simpatia dos nórdicos é por todos (ou quase todos) reconhecida.
Enfim é só uma opinião em virtude da minha experiência. Lucky me!!!
Aliás, países em que fui menos "bem tratada" eram todos latinos.

Não preterindo, contudo, que os portugueses são sem dúvida extremamente simpáticos e acolhedores. Adjectivos, tal como lhe chamas no teu post, absolutamente merecidos!!!

26/7/07 21:28

 

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