Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sexta-feira, junho 08, 2007

Transportes

No inicio desta semana o director regional do Ambiente , Domingos Abreu, introduziu no debate regional a possibilidade de se instalar um caminho férreo entre o Caniçal e a Ribeira Brava.

Julgo que se tratou de acto deveras inteligente e oportuno, especialmente quando o tema dos transportes é sempre quase levado (e igualmente bem) para a abertura de novas rotas aéreas que liguem a nossa região ao resto do mundo.
Acho que o exercicio deste debate poderia lançar muitas outras questões relativas à mobilidade entre portas, não só do caso da possibilidade dos transportes ferroviários serem introduzidos mas sobretudo do ponto actual da mobilidade no interior da nossa Região.
É inegável que o grande investimento neste campo foi realizado na construção da via rápida e as várias vias expresso espalhadas pela ilha e que permitiram aproximar lugares, encurtar itinerários, combater isolamentos. Como consequência ou não, o ter um veiculo motorizado é já lugar presente nas familias madeirenses não sendo de estranhar que a Madeira apresente uma das maiores densidades de veiculos motorizados por km2 de toda a Europa.

Parece então estranho que não se note qualquer evolução ao nivel dos transportes públicos ou como o director regional referiu uma solução ferroviária, isto porque agora Funchal, Caniço e Câmara de Lobos formam um espaço continuo ao nivel da mobilidade. Ou seja, falamos de uma zona metropolitana que gravita de e para o Funchal todos os dias.

O que queria realmente deixar presente é o porquê de não se investir nos transportes públicos que diariamente asseguram viagem a muitos milhares que não têm condições para ter um veiculo motorizado. Não tendo consultado os horários tanto da Rodoeste, S.Roque do Faial para Caniço/Câmara de Lobos e baseando-me apenas no que me é transmitido por pessoas mais próximas estas oferecem um serviço bastante modesto sobretudo a partir da noite e fim de semanas. Aliás posso dizer que já "sofri" na pele o que é depender da Rodoeste para chegar ao local de trabalho todas as manhãs, durante dois meses e achei que levantar-me todas as manhãs às 7h com o objectivo de chegar ao Estreito de Cª de Lobos era bastante perturbante...isto tendo em conta que a "carreira" era a mais rápida sugerida pelo funcionário da Rodoeste!!!
A título pessoal julgo que a opção ferroviária numa região com a orografia tão pronunciada como a nossa deverá constituir um sério adversário face uma implementação ponderada deste tipo de transportes, já para nao falar em toda o equipamento de suporte que esta opção acarreta.
Por fim acho que é urgente repensar a rede de transportes públicos de toda a região com especial enfase no chamado eixo Ribeira Brava - Sta Cruz, sobretudo para melhorar os indices de serviço dos mesmos actualmente.

3 Comments:

Blogger BarreteDeOrelhas said...

Concordo com a maioria do texto mas incomoda-me o facto de (tal como é crença geral) considerares que os transportes públicos são fundamentalmente uma solução para quem não tem condições para se deslocar por meios próprios. Infelizmente é de facto essa a realidade actual, uma vez que devido à aliança entre a mediocre qualidade do serviço e ao comodismo das populações a maioria dos utilizadores dos transportes públicos apenas o é quando não tem outra alternativa.
No entanto penso que este "projecto de projecto, criado de raiz", é uma boa oportunidade para proporcionar uma nova tendência: o fomentar da ideia do transporte público como a primeira opção (nem que seja quase à força como foi feito em Londres, com a introdução de portagens no cetro da cidade). Para tal é no entanto necessária a criação de uma rede que proporcione aos utilizadores um nível de qualidade do serviço(em termos de instalações, conforto, horários, preços, etc) de forma a que este seja de facto uma verdadeira alternativa. Tanto os Horários do Funchal como (especialmente) as outras empresas de transportes têm muita margem de melhoria a este nível. A opção ferroviária nunca seria uma alternativa aos Horários do Funchal, mas sim às outras empresas de transportes. Acho que este "projecto de projecto" ferroviário - sobre o qual pouco ou nada sei em termos de custos, viabilidade ou qualidade do serviço - merece ser estudado, bem como as suas alternativas. Mesmo que não venha a ser concretizado, lança o debate sobre as possiveis soluções para o problema da mobilidade.

P.S. Acho que este tópico é praticamente válido para a maioria das cidades portuguesas.

10/6/07 14:04

 
Blogger stanica said...

Os transportes no território nacional, seja nas ilhas e no continente, são sempre uma temática interessante. Quando viajamos para outros países europeus torna-se evidente a diferença no serviço que é prestado aos utentes das redes de transportes. Há, contudo, uma melhoria e uma evolução positiva nos últimos anos. Na parte que me toca mais directamente, a cidade de Lisboa tem evoluído, mas ainda assim não se encontra um tipo de serviço desejado, ainda que muito melhorado.
Todavia, gostaria de salientar o facto da haver uma mentalidade muito portuguesa, deveras entranhada nos hábitos diários, que é muito diferente de alguns países europeus. Mais do que um serviço deficiente por parte das redes de transportes há, efctivamente, um comodismo típicamente do portuga. O carro é um meio quase indispensável de deslocação, nem que seja para andar 100 metros de distância. Os portugueses são muito dependentes do seu carro. A típica familia portuguesa tem mais do que um carro. É cultural ter-se carro a partir do momento em que se tira a carta de condução. Se formos até um país como a Holanda, familias há que nem um carro têm.
É verdade também que em países como a Holanda, a Alemanha e a Inglaterra as redes de transportes são efecientes, muito ao contrário daquilo qu se assiste em Portugal. Estou a lembrar-me por exemplo do Comboio Alfa. Todas as viagens que fiz neste comboio não me recordo de ter feito uma viagem, em que o comboio atingisse a velocidade que é suposto atingir. Normalmente alguns dos troços da linha costumam estar em obras não permitindo que o comboio eficientemente faça as suas viagens.
E já que mencionamos as vias férreas. Segundo sei já houve comboio na Madeira, mais concretamente no Funchal. É por todos conhecida as dificuldades que o relevo na Madeira representa para os seus habitantes e consequentemente na construção de vias. Normalmente a construção das vias representam um desafio e um investimento avultado, em consequência das dificulades que a natureza impõe. Ainda assim, têm sido ultrapassados esses problemas e com sucesso têm sido construídas pontes e túneis que permitem maior proximidade das localidades à volta de toda a ilha. Antigamente chegar à Ribeira Brava era um autêntico suplicío. Quando me recordo da estrada antiga ainda sinto as naúseas que aquela estrada me provocava. Hoje em dia em apenas 15 minutos estamos lá. A rede de estradas na ilha era necessária, e julgo que com sucesso foi feito um bom trabalho, um trabalho absolutamente necessário para uma maior qualidade de vida dos madeirenses. Uma tentativa de descentralização da cidade do Funchal, pois se bem me recordo há uns anos atrás a cidade sofria de Hipercefalia. Hoje em dia não sei bem em que termos é que a cidade se encontra, mas julgo que deverá ter havido alguma melhoria nesse sentido.
Não sei bem até que ponto seria viável a construção de um caminho férreo na ilha. Concordo que seja uma ideia aliciante, mas não sei o quão viável será. Fico à espera de mais informação nesse sentido para poder discutir melhor o assunto. Por agora fico com a ideia na cabeça...

10/6/07 16:35

 
Anonymous amsf said...

http://pensamadeira.blogspot.com

Não só acho desejável uma aposta nos transportes públicos como prognostico que a era do automóvel como a conhecemos está a acabar. Mais do que uma crise ambiental o mundo está prestes a sofrer uma crise energética. Durante os próximos anos consistirá numa subida consistentes dos preços do petróleo até à impossibilidade de de o fornecer em quantidades "industriais". O pico do petróleo está ai e os biocombustíveis não são a solução pois lamçará na fome os paises do terceiro mundo e inflacionará o preço dos alimentos em toda a parte. O biocombustível levará a que os estômagos compitam com os motores! Aliás, os biocombustíveis acelarão ainda mais a questão do aquecimento global bem como a desertificação!

10/6/07 19:03

 

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