Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sábado, junho 30, 2007

Damien Rice

"I Remember" live @ 4 Seasons

Damien Rice nasceu a 7 de Dezembro de 1973, em Celbridge, no condado de Kildare, na Irlanda. É o segundo dos três filhos de George e Maureen, um casal trabalhador, e sempre foi considerado a ovelha negra da família.
Desde cedo que encara a música não apenas como forma de se expressar, mas também de tentar compreender toda sua melancolia. No inicio dos anos 90 juntou alguns colegas de colégio e formou a banda Juniper, da qual era vocalista, além de compor e escrever todas as músicas do grupo. No entanto, atritos com a gravadora (PolyGram) e pequenos conflitos internos, causados principalmente pelo perfeccionismo do Damien, pelas suas opiniões fortes e pelo desencantamento com a editora comercial fizeram com que deixasse a banda, oito anos depois de sua formação, no dia da véspera do inicio da gravação do seu primeiro album. Os outros membros continuam juntos, formando o Bell X1.
Em 1999, Damien Rice decide largar tudo e mudar-se para a Toscania, em Itália, passando a viver do que plantava e cantando na rua para conseguir alguns trocos. A experiência, diz ele, mudou sua vida. No ano seguinte, volta para Dublin, com ânimo revigorado e repleto de ideias novas. Juntou-se, então, a um grupo de músicos (Lisa Hannigan, que compartilha os vocais com ele; Vyvienne Long, que toca piano e violoncelo; Shane Fitzsimons no baixo; e Tomo na percussão), e lançou, em meados de 2002, seu primeiro álbum: "O", notabilizando-se pela inclusão de diversas das suas musicas em diversas bandas sonoras de filmes e séries, sendo a mais famosa "The Blowers Daughter" utilizada tão proficuamente no filme "Closer" (com a Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen) que acaba quase por ser mais um interprete do filme. O CD foi gravado no quarto do cantor, com poucos instrumentos devido ao pequeno orçamento – o que explica o tom acústico que o disco adquiriu. O cantor admite que esperava que o CD não vendesse mais que mil unidades - no entanto "O" vendeu cerca de 2 milhões de discos.
E é aqui que entra uma característica forte de Damien Rice: aversão ao sucesso. De acordo com as suas próprias palavras, "o dinheiro só me faz me sentir fora de equilíbrio com meus amigos, então não quero mais dinheiro. A mesma coisa com a fama. Não quero ser famoso. Não sou uma celebridade.”
Em 2006 editou o seu segundo album "9". Mais recentemente Damien Rice declarou que a sua relação profissional com Lisa Hannigan já terminou o seu curso criativo, pelo que esta não irá comparecer mais em futuras actuações. Rice tem também tomado alguma notabilidade por, num meio em que o uso de telemóveis e câmaras digitais está amplamente disseminado, interromper concertos a meio e pedir ao público para desligar as câmaras e simplesmente apreciar o concerto. Num concerto em Toronto em 2006 alterou a letra de "I remember" de "I remember it well, taxied out of a storm, to watch you perform, and my ships were sailing" para "I remember it well, when we used to watch concerts, not through a camera, please turn, them off please".
Damien Rice é assim: confuso mas incisivo, melancólico mas bem humurado, tímido mas jovial, – para alguns, genial...
P.S. Texto parcialmente (grande parte) recolhido na wikipedia.

terça-feira, junho 26, 2007

Cidade Pessoal


Na década de 70 o urbanista Kevin Lynch criou uma metodologia que permite aos indivíduos a construção do seu mapa mental da cidade. Apesar de construirmos uma imagem muito pessoal da cidade, tal idealização baseia-se em realidades materiais concretas. O material transforma-se em simbólico, traçamos as fronteiras da nossa cidade pessoal com base em tais elementos estruturadores do ponto de vista geográfico, mas que para nós possuem um significado pessoal. A utilidade de tais mapas mentais prende-se com o facto de poderem constituir repositórios de informação valiosa em termos de urbanismo, ao conhecermos a maneira que vastos segmentos da população urbana percepciona a cidade, conseguimos identificar obstáculos ao crescimento da cidade, identificar áreas problemáticas, potenciar a utilização de outras menosprezadas institucionalmente mas de grande valia para a população.
Seria porventura uma ferramenta útil para a revisão do P.D.M.. Uma maneira de sentir a vivência subjectiva da urbe por parte do cidadão que depois se converteriam em medidas objectivas em termos de organização do território.
A análise de tais mapas mentais permitem identificar vários elementos estruturantes à volta dos quais o indivíduo constrói a sua cidade mental.. A sobreposição de mapas individuais permitem uma visualização sintética do sentir a cidade colectivo, permitindo a identificação das barreiras físicas transfiguradas em simbólicas que enformam a cidade, a identificação das principais vias que constituem a espinha dorsal da cidade, a identificação de áreas homogéneas que as pessoas identificam inconscientemente com uma determinada actividade, a identificação das áreas de cruzamento entre essas áreas, etc.
Além de um exercício lúdico interessante é uma boa forma de auto-conhecimento. A “nossa” cidade é diversa da cidade geográfica… Uma rua, uma margem… uma maneira pessoal de sentir a cidade...

Quer eu queira quer não queira

Esta cidade

Há-de ser uma fronteira…..

segunda-feira, junho 18, 2007

"TUDO O QUE NÃO SEJA EU"- Exposição



Recordo-me de Serralves ao domingo de manhã, a esplanada cheia, grupos que passeiam pelo jardim, a retrospectiva da Paula Rego a abarrotar. Traço o paralelismo entre Serralves e o Centro de Artes Casa das Mudas… Além da vocação, do tipo de programação e da qualidade arquitectónica, o domingo no Vale dos Amores fica distante dos domingos da Rua D. João de Castro. Esqueço as possíveis considerações, de natureza sociológica, que o simbolismo do deserto humano que encontro levantam, e deleito-me com o egoísmo quase infantil de ter a atenção exclusiva de todas as “noivas” de Kimiko Yoshida…. No Vale dos Amores por uma manhã o harém é só meu…

“TUDO O QUE NÃO SEJA EU” - retrospective exhibition De Kimiko YoshidaAté 26 de Agosto de 2007, no Centro de Arte Moderna Casa das Mudas, Calheta


FOTO: GRENN TEA BRIDE E BRIDE WITCH PROJECT DE KIMIKO YOSHIDA

segunda-feira, junho 11, 2007

"O seu, a seu dono"

O Tribunal do Funchal ordenou recentemente a devolução dos 24,5 milhões de euros congelados por parte do Ministério da Finanças à Região Autónoma da Madeira. Este é o montante já congelado de um total de 119,6 milhões de euros "a congelar" devido à alegada ultrapassagem dos limtes ao endividamento bancário por parte da reegião. Esta decisão do Tribunal do Funchal não me surpreende de forma nenhuma uma vez na minha opinião a argumentação do Ministério das Finanças não fazia qualquer sentido.

A RAM da Madeira era acusada de ter excedido o limite do seu passivo bancário em 119,6 milhões euros, alegadamente violando o principio do endividamento zero. Na origem desta violação está uma operação de titularização da dívida da RAM, que remonta a 2005. Ora qualquer pessoa minimamente familiarizada com o negócio da banca tem presente que uma operação de titularização da dívida não aumenta em nada o endividamento de um organismo, antes o desloca de A para B: o que a RAM devia a A (credores), passou a dever a B (Banca), que comprou a dívida. Neste caso os credores da RAM venderam o seu direito a receber os montantes devidos aos bancos. Esta prática é corrente por exemplo no negócio das farmácias: uma vez que o Governo português demora muito tempo a pagar as suas dividas às farmácias, a Associação Nacional de Farmácias vende os créditos perante o Estado das suas associadas à Banca. Quer isto dizer que o endividamento bancário do Estado aumentou? Sim. Quer isto dizer que o endividamento do Estado aumentou? Em nada. É uma falsa questão.

Tudo não passou, na minha prespectiva, de uma simples acção de perseguição política ao Governo Regional da Madeira por parte do Governo Central, nomeadamente perseguição à figura do Dr. AJJ. José Sócrates, cuja legislatura até me tem agradado de forma geral, tem sido bastante perspicaz (ou baixo, dependendo do ponto de vista) ao atacar apenas os interesses que já gozam de baixos niveis de popularidade na opinião publica nacional, ou seja, escolhe os seus inimigos, e ataca aqueles interesses onde apesar de fazer alguns inimigos, tem mais a ganhar do que a perder. Para a opinião pública nacional geral - que não fará a minima ideia do que é uma operação de titularização - tomar a medida de congelar as verbas para a Madeira, dá popularidade a Sócrates e ao Governo, independemente de o congelamento ser justificado ou não.

Perante isto restam 2 hipóteses, ou alguém no Ministério das Finanças não sabe os contornos da operação de titularização (é incompetente), ou sempre o soube mas decidiu avançar para o congelamento das verbas na mesma, nem que fosse como forma de cosmética política (e é inutilmente maldoso). Depois da Lei da limitação de mandatos - feita à medida de AJJ, e sobre a qual já exprimi a minha opinião em comments anteriores - esta acção do Ministério das Finanças demonstra uma atitude persecutória não só ao presidente do Governo Regional, mas à RAM. Felizmente ainda parecemos viver num Estado de Direito... mas sinceramente aguardo pelos próximos capítulos com muito cepticismo (cheira-me que isto não acaba aqui) ....

"O Ministério das Finanças foi obrigado a devolver 24,6 milhões de euros em fundos congelados à Madeira, na sequência de uma decisão do tribunal do Funchal, que deu razão ao Governo local em relação aos limites de endividamento da região."

In Publico, 6 de Junho de 2007

“Epidemia Verbal” insular…

Nos últimos posts e coments que têm sido feitos no blog, tenho-me apercebido de um erro frequente. Parece que há uma confusão qualquer na utilização do hífen. Sem querer ofender ninguém, mas na tentativa de chamar à atenção para um erro que é inadmissível, gostaria de salientar que palavras como “procurar-mos” não existem na língua portuguesa. E para além deste vocábulo, outros mais que não vou enunciar. Há erros que não ficam bem.
Como notei que algumas pessoas têm dificuldade em colocar correctamente o hífen, fica a advertência.

domingo, junho 10, 2007

Uma visão dos interesses internacionais, a de F. William Engdahl

A propósito de um coment feito num dos post's, e como foi mencionado o petróleo, gostaria de vos deixar o texto na íntegra de F. William Engdahl. Teoria da conspiração ou não, acho que é um texto de algum interesse e que merece uma leitura, relevante nas motivações das relações internacionais.

CONTROLAR TODOS OS "TIRÂNICOS" GARGALOS PETROLÍFEROS DO MUNDO
”Em discursos públicos recentes, George W. Bush e outros na administração, incluindo C. Rice, principiaram a efectuar uma mudança significativa na retórica da guerra. Uma nova "guerra à tirania" está a ser cozinhada a fim de substituir a "guerra ao terror", já fora de moda. Longe de ser uma nuance semântica, a mudança é altamente reveladora da próxima fase da agenda global de Washington.

No seu discurso inaugural de 20 de Janeiro, Bush declarou: "A política dos Estados Unidos é procurar e apoiar o crescimento de movimentos e instituições democráticas em todo os países e culturas, com o objectivo final de acabar com a tirania no nosso mundo". Bush reiterou esta última formulação, "acabar com a tirania no nosso mundo" no seu discurso do Estado da União (ênfase do autor). Em 1917 era uma "guerra para tornar o mundo seguro para a democracia" e em 1941 era uma "guerra para acabar com todas as guerras".

A utilização da tirania como justificação para intervenções militares americanas marca um novo passo dramático na busca por Washington da dominação mundial.
Historicamente, Washington nunca teve problemas em apoiar alguns dos tiranos mundiais de todos os tempos, desde que eles fossem tiranos 'pro-Washington', tais como a ditadura militar de Pervez Musharraf no Paquistão, um paradigma de opressão. Podemos enumerar outras ditaduras apadrinhadas – o Azerbeijão de Aliyev, ou o Uzbequistão de Karimov, ou o Kuwait de Al-Sabah, ou Oman. Talvez mesmo Marrocos, ou a Colômbia de Uribe. Há uma lista enorme de tiranos pró-Washington.•
Por razões óbvias, não é provável que Washington se vire contra os seus “amigos”. A nova cruzada anti-tirania parece pois ser dirigida contra os tiranos “anti-americanos”.


ATACAR ALGUMAS TIRANIAS, APOIAR OUTRAS.
Rice deu algumas pistas quanto à lista de tiranos alvo de Washington no meio de uma outra intervenção nada mansa no seu depoimento no Senado. Declarou, “... No mundo de hoje mantêm-se postos avançados de tirania... em Cuba e Birmânia e na Coreia do Norte, no Irão e na Bielorússia, e no Zimbabué”. Para além do facto de que o secretário de Estado designado não se deu ao trabalho de referir a Birmânia pelo seu nome actual, Myanmar, esta lista é uma indicação da próxima fase na estratégia de Washington das guerras preventivas para a sua estratégia de dominação global

Tão imprudente como parece, dado o pântano iraquiano, o facto de que ainda tenha havido pouco debate aberto sobre uma guerra tão alargada, isto indica quão extenso é o consenso dentro do “establishment” americano de Washington em relação à política de A Indonésia, com enormes recursos de gás natural que abastecem principalmente a China e o Japão, constitui um caso interessante. Embora o país tenha sido aparentemente cooperativo com a Guerra ao Terror de Washington, desde Setembro de 2001, o governo indonésio protestou ruidosamente por altura do recente desastre do tsunami, quando o Pentágono despachou um porta-aviões americano e tropas especiais num prazo de 72 horas que aterraram em Aceh para fazer “trabalhos de salvamento”. O porta-aviões americano Abraham Lincoln, com 2000 marines a bordo, supostamente ligados ao Iraque, juntamente com o navio anfíbio americano Bonhomme Richard, vindo de Guam, desembarcaram cerca de 13 mil tropas americanas em Aceh, o que alarmou muita gente nas forças militares indonésias e no governo. O governo concordou, mas exigiu a saída dos americanos no fim de Março e não permitiu um campo de apoio em Aceh. Foi o que bastou para que o secretário eleito da Defesa, o estratego da guerra do Iraque, Paul Wolfowitz, antigo embaixador americano na Indonésia, fizesse uma visita de “reconhecimento dos factos” na região. A ExxonMobil dirige uma gigantesca produção de GNL (gás natural liquefeito) em Aceh, que fornece energia à China e ao Japão.
Se juntarmos Myanmar à lista dos “alvos emergentes”, um Estado que, embora não respeitando os direitos humanos, é também um aliado importante e recebe ajuda militar de Pequim, vemos desenhar-se bastante nitidamente um cerco potencial contra a China. A Malásia, Myanmar e Aceh na Indonésia constituem flancos estratégicos, onde podem ser controladas as vias marítimas vitais desde o estreito de Malaca, por onde passam os petroleiros desde o Golfo Pérsico até à China. Mais ainda, 80% do petróleo japonês passa por ali.

A Administração da Informação de Energia do governo americano identifica o estreito de Malaca como um dos mais estratégicos “pontos de estrangulamento do tráfego mundial de petróleo”. Não seria conveniente se, no decurso da limpeza de um ninho de regimes tirânicos, Washington pudesse adquirir o controlo deste estreito? Até hoje os Estados desta área têm rejeitado veementemente as tentativas repetidas de Washington para militarizar os estreitos.

O controlo ou a militarização da Malásia, da Indonésia e de Myanmar daria às forças americanas um controlo total sobre o canal marítimo com maior tráfego petrolífero do mundo desde o Golfo até à China e ao Japão. Seria um tufão gigantesco sobre os esforços da China para assegurar a independência energética em relação aos Estados Unidos. Não só a China já perdeu enormes concessões de petróleo no Iraque com a ocupação americana, como o abastecimento de petróleo à China a partir do Irão está também sob uma pressão crescente de Washington.
Retirar o Irão aos Mulás daria a Washington o controlo total sobre o canal marítimo petrolífero estrategicamente mais importante do mundo, o estreito de Ormuz, uma passagem com pouco mais de três quilómetros de largura entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico. A principal base militar americana em toda a região do Médio Oriente é exactamente no estreito do lado oposto ao Iraque em Doha Qatar. Também é aqui que se situa uma das maiores jazidas de gás do mundo.

A Argélia é outro alvo óbvio para a “guerra à tirania”. A Argélia é o segundo mais importante fornecedor de gás natural à Europa continental, e tem reservas significativas de petróleo bruto sulfuroso da mais alta qualidade, mesmo do tipo de que as refinarias americanas precisam. Cerca de 90% do petróleo da Argélia vai para a Europa, principalmente para Itália, França e Alemanha. O presidente Bouteflika leu as folhas de chá de Washington de 11 de Setembro e prontamente prometeu o seu apoio à Guerra ao Terror. Bouteflika apresentara moções para privatizar diversos bens estatais, mas nunca para a vital companhia petrolífera estatal, a Sonatrach. Isto evidentemente não chegava para satisfazer o apetite dos estrategos de Washington.

O Sudão, como já foi dito, passou a ser um dos principais fornecedores de petróleo à China, onde a companhia petrolífera nacional investiu mais de 3 mil milhões de dólares desde 1999, na construção de oleodutos desde o sul até ao porto do Mar Vermelho. A coincidência deste facto com a preocupação crescente de Washington pelo genocídio e o desastre humanitário em Darfur – rico em petróleo – no sul do Sudão, não se esgotou em Pequim. A China ameaçou com um veto nas Nações Unidas contra qualquer intervenção contra o Sudão.
O primeiro acto de um Dick Cheney reeleito no fim do ano passado foi encher o seu jacto vice presidencial com os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas e viajar para Nairobi a fim de discutir a crise humanitária em Darfur, numa repetição assustadora da preocupação humanitária do secretário de Defesa Cheney em relação à Somália em 1991.

A escolha de Washington da Somália e do Iémen é uma escolha emparelhada, como uma olhadela para um mapa do Médio Oriente/Corno de África pode confirmar. O Iémen situa-se no ponto de estrangulamento do tráfego petrolífero de Bab el-Mandeb, o ponto estreito que controla o escoamento do petróleo ligando o Mar Vermelho com o Oceano Indico. O Iémen também tem petróleo, embora ninguém ainda saiba bem quanto. Pode ser imenso. Uma firma americana, a “Hunt Oil Co.” está a extrair 200 mil barris por dia mas isto parece ser apenas a ponta do icebergue.


O 'ALVO EMERGENTE' IÉMEN EMPARELHA LINDAMENTE COM O OUTRO ALVO VIZINHO, A SOMÁLIA
“Sim, Virgínia”... A acção militar na Somália em 1992, de Herbert Walker Bush, que pôs a sangrar o nariz americano, foi também na verdade acerca de petróleo... Foi pouco conhecido o facto de que a intervenção humanitária de 20 mil soldados, enviados por Bush pai para a Somália, pouco teve a ver com o propagandeado auxílio alimentar aos somalis esfomeados. Teve sim muito a ver com o facto de que quatro das principais companhias petrolíferas americanas, dirigidas pelos amigos de Bush em Conoco de Houston, Texas, e que incluíam a Amoco (hoje BP), a Chevron de C. Rice e a Phillips, tinham todas enormes concessões de exploração de petróleo na Somália. Os contratos tinham sido feitos com o ex-regime tirânico e corrupto de Siad Barre ‘pro-Washington’.

Barre foi inconvenientemente deposto mesmo na altura em que a Conoco noticiou ter encontrado ouro negro em nove poços de exploração, confirmados pelos geólogos do Banco Mundial. O embaixador americano na Somália, Robert B. Oakley, um veterano do projecto americano Mujahadeen no Afeganistão nos anos 80, quase deitou a perder o jogo americano quando, no auge da guerra civil em Mogadiscio em 1992, mudou o seu aquartelamento para as instalações da Conoco por questões de segurança. Uma nova limpeza da tirania somali abriria a porta a estas companhias americanas para traçar o mapa e desenvolver o provavelmente enorme potencial petrolífero na Somália. O Iémen e a Somália são dois flancos da mesma configuração geológica que provavelmente contém enormes depósitos petrolíferos, sendo também os flancos do ponto de estrangulamento do Mar Vermelho.

A Bielorússia também não é nenhum campeão dos direitos humanos, mas do ponto de vista de Washington, é o facto de o seu governo estar intimamente ligado a Moscovo que o torna um candidato óbvio a um esforço de mudança de regime ao estilo ucraniano da 'Revolução Laranja'. Se isso acontecesse, os Estados Unidos completariam o cerco, pelo oeste, à Rússia e aos oleodutos russos de exportação para a Europa. Cerca de 81% de todas as exportações russas actuais vão para os mercados da Europa ocidental. Uma mudança do regime da Bielorússia neste momento limitaria à Rússia com armas nucleares a possibilidade de fazer uma aliança com a França, a Alemanha e a União Europeia para formar um possível contrapeso ao poder da única potência, os Estados Unidos, uma alta prioridade dos geopolíticos da Euroásia, de Washington.
A lista de alvos emergentes numa nova Guerra à Tirania é nitidamente fluida, provisória e adaptável conforme a mudança dos acontecimentos. É evidente que está em marcha nas mais altas esferas uma preparação de futuras ofensivas militares e económicas, de cortar a respiração, para transformar o mundo. A um preço mundial do petróleo de 150 dólares ou mais por barril nos próximos anos associar-se-á o controlo dos pontos de estrangulamento do seu abastecimento sob uma única potência, se Washington atingir os seus objectivos.”

13/Fev/2005

Será que depende das interpretaçães?

Capa dos jornais desportivos "A Bola" e "O Jogo" do dia 10/06/2007, referindo-se às mesmas declarações de Simão Sabrosa à partida para férias.
No comments...

sexta-feira, junho 08, 2007

Transportes

No inicio desta semana o director regional do Ambiente , Domingos Abreu, introduziu no debate regional a possibilidade de se instalar um caminho férreo entre o Caniçal e a Ribeira Brava.

Julgo que se tratou de acto deveras inteligente e oportuno, especialmente quando o tema dos transportes é sempre quase levado (e igualmente bem) para a abertura de novas rotas aéreas que liguem a nossa região ao resto do mundo.
Acho que o exercicio deste debate poderia lançar muitas outras questões relativas à mobilidade entre portas, não só do caso da possibilidade dos transportes ferroviários serem introduzidos mas sobretudo do ponto actual da mobilidade no interior da nossa Região.
É inegável que o grande investimento neste campo foi realizado na construção da via rápida e as várias vias expresso espalhadas pela ilha e que permitiram aproximar lugares, encurtar itinerários, combater isolamentos. Como consequência ou não, o ter um veiculo motorizado é já lugar presente nas familias madeirenses não sendo de estranhar que a Madeira apresente uma das maiores densidades de veiculos motorizados por km2 de toda a Europa.

Parece então estranho que não se note qualquer evolução ao nivel dos transportes públicos ou como o director regional referiu uma solução ferroviária, isto porque agora Funchal, Caniço e Câmara de Lobos formam um espaço continuo ao nivel da mobilidade. Ou seja, falamos de uma zona metropolitana que gravita de e para o Funchal todos os dias.

O que queria realmente deixar presente é o porquê de não se investir nos transportes públicos que diariamente asseguram viagem a muitos milhares que não têm condições para ter um veiculo motorizado. Não tendo consultado os horários tanto da Rodoeste, S.Roque do Faial para Caniço/Câmara de Lobos e baseando-me apenas no que me é transmitido por pessoas mais próximas estas oferecem um serviço bastante modesto sobretudo a partir da noite e fim de semanas. Aliás posso dizer que já "sofri" na pele o que é depender da Rodoeste para chegar ao local de trabalho todas as manhãs, durante dois meses e achei que levantar-me todas as manhãs às 7h com o objectivo de chegar ao Estreito de Cª de Lobos era bastante perturbante...isto tendo em conta que a "carreira" era a mais rápida sugerida pelo funcionário da Rodoeste!!!
A título pessoal julgo que a opção ferroviária numa região com a orografia tão pronunciada como a nossa deverá constituir um sério adversário face uma implementação ponderada deste tipo de transportes, já para nao falar em toda o equipamento de suporte que esta opção acarreta.
Por fim acho que é urgente repensar a rede de transportes públicos de toda a região com especial enfase no chamado eixo Ribeira Brava - Sta Cruz, sobretudo para melhorar os indices de serviço dos mesmos actualmente.

Street Sports

Apanhei estes dois videos um bocado à toa no youtube, que simplesmente - à falta de uma expressão portuguesa "blew me away". São de certa forma a demonstração que com talento, esforço e gosto por algo é possível quebrar fronteiras e ir além daquilo que já foi feito e/ou visto.





P.S. Se alguem tiver uma expressão portuguesa equivalente, aceito sugestões...

O ohar e o ver

No ABC da sociologia aprendemos que a grande dificuldade em ciências sociais advém do facto do homem ser ao mesmo tempo o observador e o observado, recorremos então de uma série de ferramentas metodológicas para garantir a objectividade e enfrentamos o espelho. A dificuldade do desafio aumenta na razão directa da proximidade pessoal do objecto observado. Olhar a Madeira de fora, sem fazer juizos de valor, de forma completamente isenta é provavelmente o meu némesis sociológico. Não consigo ser isento, fazer uma análise clara, apelar à razão, quando assisto a ataques à liberdade de expressão, ao pluralismo politico! A Madeira não tem um regime de partido único, mas quase!
O conceito de autonomia herdado da Grécia antiga. Surge em antítese aos conceitos de alteronomia e anomia, postula o direito de uma região governar-se por leis próprias. O conceito foi abastardado, as leis são realmente muito próprias, mas se temos autonomia em relação ao governo central, a alteronomia interna, por mais paradoxal que o termo pareça, é mais que evidente!
Substituiu-se o colonialista pelo senhor feudal, a liberdade de expressão é toldada por mecanismos de repressão simbólicos, que resultam muitas vezes na ostracismo de quem tem a veleidade de exercer um direito, que afinal parece apenas existir para quem segue os cânones do discurso oficioso. O exercício da consciência critica é olhado com incredulidade, os argumentos, válidos ou não, são rebatidos não com contra-argumentação mas através da tabloidização do quotidiano dos intervenientes. Somos invadidos por uma febre de catalogação, há que identificar, rotular e expedir.. Ou é preto ou é branco não se concebe que possam existir zonas cinzentas entre a ausência de cor e a totalidade da cor, ou que à sua voltem gravitem outras cores… é pena, sempre gostei de paletas mais ricas, descobrir maneiras alternativas de olhar o mesmo quadro… em suma, ver para alem das fachadas.

terça-feira, junho 05, 2007

Sorriso sindical


Finalmente chegou o dia em que estou satisfeito com uma acção dos sindicatos!! Perante os resultados da passada greve geral o meu rosto teve o privilégio de esboçar o seu primeiro sorriso sindical. A convocação da greve geral por parte da CGTP foi o primeiro passo para demonstrar o quão desconectados com a realidade a maior parte dos sindicatos está, e a confirmação que cada vez menos os portugueses se revêm nestes associações. O país não parou, e para ofuscar a derrota a CGTP recusou-se a avançar com estimativas de adesão.
Para começar assim pouparam-nos do ridículo atirar de números completamente dispares (e inflacionados por ambas as partes) entre governos e sindicatos após uma greve.
Sinceramente era a favor da criação do sistema em que se identificava os grevistas que a Comissão Nacional de Protecção de Dados inviabilizou. Não percebo como é que alguém que faz greve pode ser perseguido só por ficar registado numa base de dados... então mas se não forem registados, os colegas e superiores dos grevistas não ficam na mesma a saber que essas pessoas fizeram greve?

Voltando ao tópico principal, em vez de avançar numeros globais, o PCP... aliás a CGTP perferiu anunciar estimativas sectoriais de àreas onde houve grande adesão. Esta estratégia é no minimo ridícula, e é o equivalente a passar um atestado de burrice aos portugueses. O paralelismo que me vem à mente é o de um treinador de futebol, que depois de perder um jogo por 10-2 diz qualquer coisa como "Não quero discutir se ficou 10-2, o que eu sei é que no minuto '17 e '53 a minha equipa marcou!!".

Congratulo-me ainda mais ao ver que a maioria dos portugueses abriu os olhos em relação a esta verdadeira praga pós 25 de Abril que se instalou no nosso país. Em programas como "Opinião Publica" na SIC Noticias e afins a maioria dos intervenientes era claramente contra a greve.

Não quero com isto dizer que os sindicatos não têm lugar na sociedade. Quero só reafirmar que os sindicatos portugueses, nomeadamente os ligados à CGTP (os meus parabéns à UGT por não ser tão populistas e mesquinha) prejudicam mais o país do que o beneficiam, até porque tendem a ser orquestrados por outras ambições políticas. A atitude do "tudo ou nada" desta central sindical acaba inevitavelmente por deixar os trabalhadores sem nada e os país com menos. E parece-me que os trabalhadores começam a ter consciência disso. A prova é que os sindicalizados são cada vez menos. Os caminhos seguidos pelos sindicatos estão a provocar o seu lento e agonizante suicídio.

Apesar dos meus parabéns à UGT, não sou ingénuo ao ponto de acreditar que se a cor do governo fosse outra não teriam aderido à greve. Tenho praticamente a certeza quea UGT se associaria à greve perante as políticas laborais implementadas pelo Governo PS, caso a direita fosse governo. De qualquer forma admiro a postura da UGT uma vez que já nos governos PSD esta central sindical teve sempre uma atitude minimamente construtiva.

Portugal não é dos patrões nem é dos trabalhadores. Portugal é dos portugueses, e se vamos construir algo teremos que fazê-lo juntos. Por muito que custe a muita gente, a maior parte das medidas em termos laborais deste governo não passam, na minha opinião, de meras correcções a anos e anos de erros governamentais, que para beneficio de alguns prejudicaram muitos, e pior do que isso prejudicaram a mentalidade de um país que agora se vê com sérios problemas de competitividade e empreendorismo.

25 de Abril Sempre!! 26 de Abril nunca mais...


segunda-feira, junho 04, 2007

A espera...











Existe uma expressão muito madeirense para caracterizar a paisagem que se estende desta janela… “o mar parece um poço”…. O mar é hoje a metáfora perfeita da sociedade madeirense…, À espera dos prometidos ventos de mudança! Uma barco fantasma à espera de se materializar…


Não sou dado a misticismos, mas anseio que bruma volte a cobrir a ilha, talvez assim se digne a surgir do nevoeiro o “D. Sebastião Protelado”. Mas o Alcácer Quibir hedonístico no qual o Rei se deleita, parece ser mais importante do que a sua terra adiada…
Mergulhamos em apneia… Durante quanto tempo conseguiremos suster a respiração?

 
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