Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quarta-feira, maio 30, 2007

Ilhéus




O que é ser ilhéu? Podemos definir ilhéu como uma mera categoria social, isto é, um grupo que apresenta características comuns apenas na mente de quem o agrupa. Neste caso a característica comum advém do facto de nascer e crescer numa ilha.
Mas a um nível mais psicológico, existirá um sentimento ilhéu? Estaremos indelevelmente marcados pelo basalto negro e pelo azul do mar que simultaneamente nos liberta e constringe? Afinal o que é isto do ser, do sentir ilhéu? Procuro a resposta na contemplação da fronteira de espuma…Talvez a resposta se encontre no sentimento que me assola nessas alturas… uma ânsia delico-doce de quem sabe que do outro lado do azul existe outra fronteira de espuma, outra praia onde alguém contempla o horizonte em busca de respostas… Talvez se defina pela vontade de partir com a certeza do regresso…
Seremos sempre estrangeiros do lado de lá? Passamos anos fora, regressamos, queremos fugir mas não lhe conseguimos escapar… Mesmo que por contingências da vida se torne para alguns a inatingível ilha do dia antes, a agulha da bússola interior encontra nela o seu norte…
Ser ilhéu talvez se defina pela esperança de conseguir ser livre numa terra hermética… na transformação, muitas vezes incompreensível para quem vem de “fora” que o mar pode não ser barreira mas auto-estrada psicológica, possibilidade de torna-viagem e não grades de prisão….

8 Comments:

Anonymous Milho frito com bife de atum said...

Boa mb, ou andaste a ler livros do geopolítico Spikeman ou então tropeçaste na verdade por coincidência! O autor ao procurar respostas para a necessidade dos americanos suprimirem o seu isolacionismo, falava de particularidade marítima como autoestrada da informação e não como barreira! Queres tu dizer o quê? Que temos hipóteses de tornarmo-nos messiânicos??? Será que o Jardim irá superar Wilson? 14 pontos só se fôr na cabeça... "nunca nenhum Partido, como o PS, veio trabalhando tanto e tão bem, para provocar a independência do território." Alberto João Jardim in Jornal da Madeira 2007-05-29...lololol... Ser Ilhéu tem muito que se diga..Principalmente contenção..se não é pela geografia é pela psicologia...

1/6/07 13:06

 
Blogger Administrador said...

Concordo consigo "milho frito..."!

"Sr. MB", vejo que V.Exa. quer participar da festa do "amsf", de facto numa coisa os dois são únicos ou iguais, cultivam o gosto pelo "jogo das escondidas", eu gosto mais das "apanhadas"... Mas que fazer!..Gostos são gostos e ninguém discute!...

Sobre o assunto que cá me trás!.. dizer que estou a vontade sobre a sua leitura de VJS e que o "amsf" ao contrario de si referenciou com todas as letras. Ao contrario de de alguns , não sei se o sr. também tem por habito agir assim, reconheço, como reconheci na altura que errei. Errei não em plagiar, porque não foi essa a intenção, mas sim em não ter emendado a mão da melhor forma nos esclarecimentos, isto é não ter dito exactamente o que é que se passou. E que não passou dum simples "..." ou indicação da fonte do texto, que no fim do artigo não foi anexado a quando do envio ao DN. Mas responsavelmente assumi o erro e caso não se lembre demiti-me da Presidência da JP, por causa disso. Água passadas, que não tenho medo de que venham a público!...

Por isso e sem saber quem é V. Exa, pessoa que ao contrario de outras parece ter quatro dedos de testa, espero saiba descodificar o porque deste "comentário".

Se não conseguir descodificar, paciência!...

Roberto Rodrigues
Cortar d(a) Direita

1/6/07 22:32

 
Blogger stanica said...

Recorrentemente penso no facto de ser ilhéu. Quando me perguntam o que é ser ilhéu, faltam-me as palavras, torno-me absolutamente desarticulada...
As ilhas são associadas à claustrofobia, a um espaço confinado rodeado de mar que aparentemente sufoca quem lá não nasceu. Pelo menos é essa a ideia que me costumam transmitir.
Claustrofóbico, costumo dizer, é não ver o mar, não poder observar a linha do Horizonte. Linha essa em tempos associada ao fim do Mundo. Essa linha a mim só me fez sonhar, é absolutamente inspiradora! Enfim... Ser ilhéu é especial, corre no sangue, é orgulho, é fado...
Tal como o "relógio biológico", os ilhéus têm, como referiste e bem, uma bússola interior que aponta sempre para o mesmo lado...
Que saudades da minha Ilha...

2/6/07 16:10

 
Blogger luisagouveia said...

Belo post. Eu também sou "ilheu" e revi-me completamente naquilo que escreves-te. Que saudades tenho da ilha...do cheiro a mar...A vontade de regressar é maior quando se é estudante em Lisboa...
Madeira...até sempre!

2/6/07 20:04

 
Blogger Portomonizense said...

Olá muito bom o blog!
Já tá adicionado e a ser divulgado aqui http://porto-moniz.blogspot.com na secção de Blogs da Madeira. Passarei a ser visitante assiduo, continue o bom trabalho.

3/6/07 00:09

 
Anonymous milho frito com bife de atum said...

Antes de mais, umas palavras aos comentadores em relação ao tópico lançado e desenvolvido com astúcia teórica por um conterrâneo.
Sou Madeirense e tenho um grande orgulho em sê-lo, mas Portugal está primeiro. (Quando perguntam-me se gosto do nosso líder, digo que gosto mais de Portugal). Defendo até às últimas o meu pedaçinho, mas não descuro o pedaço maior ao qual pertenço. Adoro a Madeira. Como espaço físico e cultural e histórico, nada mais. O resto é passageiro, não dá tempo para lhe tomar o gosto... Mas o que é então ser da Ilha da Madeira?
Ser ilhéu é ouvir barbáries. (“Não dá para ir ao Porto Santo a pé?”)
Ser ilhéu é sentir aquele cheirinho a eucalipto quando subimos pelo caminho dos pretos.
Ser ilhéu é estar no cume dos picos, olhar para baixo e poder dizer: “Porra, imagina se um gajo caí-se?”
Ser ilhéu é ir pelo menos uma vez na vida ao Curral das Freiras
Ser ilhéu é chegar das férias académicas e poder sentir aquela satisfação por estar a pisar aquilo que é mesmo nosso.
Ser ilhéu é demorar cinco minutos para chegar à praia.
Ser ilhéu é tornar-se sócio de uma equipa do qual não se é adepto para ir ver os jogos da primeira divisão por uns míseros 750 escudos por mês.
Ser ilhéu é ficar incomodado, quando no Continente nos dizem “ Deixe-me adivinhar, é dos Açores !!!”
Ser ilhéu é nunca se fartar de ver o mar.
A Ilha da Madeira pode ser uma caganita no Oceano, mas é a nossa caganita…!

Desculpem a linguagem brejeira, mas isso também é ser ilhéu!

3/6/07 17:32

 
Blogger il _messaggero said...

Julgo que os ganhos de ter nascido e crescido numa ilha são inexplicáveis para quem não passou por essa situação...

O comentário anterior explica muito desse sentimento...

No entanto, também tenho noção que da mesma forma que o mar possibilita sonhar com objectivos infinitos, também os pode limitar muito...Sinceramente não sou muito saudosista (nem muito adepto do regionalismo bacoco muito voga nalguns círculos e meios), pese tenha de reconhecer que de tempos a tempos se apodera de mim uma certa nostalgia e uma certa saudade...

Serei sempre madeirense (acima de tudo português), tendo muito orgulho nisso...

Bom post...

3/6/07 20:12

 
Blogger Luis Miguel said...

Acima de tudo, ser ilhéu é ter uma característica muito particular e essencial: nascer numa ilha. ;)

Este facto "à la Palice" é contudo determinante na forma de estar de todo o ilhéu. Quem cá nasceu, sabe o que significa ter o mar como companheiro. Sabe o que é sentir o "seu" solo debaixo dos pés, andar e sentir o pulso da ilha.

A sua limitação geográfica, cria um sentimento paradoxal (ou não) em cada um de nós: lança a vontade de querer conhecer o mundo para além da linha do horizonte, mas ao mesmo tempo cria um imã, que nos prende à terra, independentemente de onde estejamos.

É bom...

Abraços!

3/6/07 23:57

 

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