Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quarta-feira, maio 30, 2007

Ilhéus




O que é ser ilhéu? Podemos definir ilhéu como uma mera categoria social, isto é, um grupo que apresenta características comuns apenas na mente de quem o agrupa. Neste caso a característica comum advém do facto de nascer e crescer numa ilha.
Mas a um nível mais psicológico, existirá um sentimento ilhéu? Estaremos indelevelmente marcados pelo basalto negro e pelo azul do mar que simultaneamente nos liberta e constringe? Afinal o que é isto do ser, do sentir ilhéu? Procuro a resposta na contemplação da fronteira de espuma…Talvez a resposta se encontre no sentimento que me assola nessas alturas… uma ânsia delico-doce de quem sabe que do outro lado do azul existe outra fronteira de espuma, outra praia onde alguém contempla o horizonte em busca de respostas… Talvez se defina pela vontade de partir com a certeza do regresso…
Seremos sempre estrangeiros do lado de lá? Passamos anos fora, regressamos, queremos fugir mas não lhe conseguimos escapar… Mesmo que por contingências da vida se torne para alguns a inatingível ilha do dia antes, a agulha da bússola interior encontra nela o seu norte…
Ser ilhéu talvez se defina pela esperança de conseguir ser livre numa terra hermética… na transformação, muitas vezes incompreensível para quem vem de “fora” que o mar pode não ser barreira mas auto-estrada psicológica, possibilidade de torna-viagem e não grades de prisão….

terça-feira, maio 29, 2007

IX Legislatura- Um começo pouco auspicioso.




Primeiro sinal do que a IX Legislatura nos reserva. O nome de Bernardo Martins proposto pelo PS-Madeira para a vice-presidência da mesa da Assembleia Legislativa da Madeira é recusado com 23 votos a favor e 24 contra... Há dúvidas de quem é a marionete do PSD-Madeira?


E no próximo plenário marcado para nova eleição da vice-presidência não é preciso ser nenhum Zandinga para prever o que vai acontecer.... o conceito de défice democrático começa a materializar-se, parafraseando o Farpas da Madeira, quem soltou este cão que o apanhe!

segunda-feira, maio 28, 2007

LEGISLATURA IX - Teaser



POVO SUPERIOR Movies apresenta...



Uma produção pÊpÊdE Films...



Em colaboração com a Screen Empreiteiros Guild...



Do realizador de...

...Legislatura I- They used to call it FLAMA...

...Legislatura II- The fellowship off the Orange...

...Legislatura III- Eurotrip...

...Legislatura IV- Great Expectations...

...Legislatura V- Clockwork Orange....

...Legislatura VI- The last ride of the orange knight...,

...LEGISLATURA VII-The ultimate last ride over the bridges and tunnels of Madeira county...

...e da curta metragem ao estilo dogma ...
LEGISLATURA VIII- Dude were is my LFR?....







LEGISLATURA IX- 1461 Days of Sodom
(Smaller but stronger and more orange than ever!)





Estreia MUndial dia 29 de Maio no Cine ALRAM*!





(*experimente...agora com mais espaço para as pernas!!)






segunda-feira, maio 21, 2007

Campeões!


Emoção até à ultima jornada!? Mas alguém tinha dúvidas?:P

sexta-feira, maio 11, 2007

Uma vez mais… Viagens!



Desta vez a ida foi até ao Oriente, cultura mística e que tanta curiosidade desperta nos Ocidentais. A odisseia começou em Lisboa ás 05:00 da manhã, 2 horas antes do “boarding” com destino a Amesterdão. De Lisboa a Amesterdão foram 3 horas de viagem, que se seguiram de mais outras 3 horas de espera, que antecediam as outras 12 de voo até chegar a Hong Kong. Com ainda mais 30 minutos de comboio do aeroporto até ao cais, esperava-nos mais 1 hora em cima de todas as outras, mas desta vez de barco, e “voilá” chegámos ao “final destiny”: Macau!
Não façam as contas porque faltar-vos-á vontade de fazer a viagem e acreditem que vale a pena.

Hábitos culturais muito diferentes e muita gente de olhos em bico, esta foi a primeira impressão que tive! Nunca preenchi tanto papel na minha vida com os meus dados pessoais, enquanto cidadã portuguesa, para além da quantidade de postos de controlo de passaportes. Os chineses não se coíbem na burocracia!
Em qualquer uma das cidades que referi, é patente a presença dos colonizadores: portugueses e ingleses. Especialmente na forma como as cidades foram desenhadas. A famosa calçada portuguesa e os autocarros de dois andares bem típicos destes dois países, bem lá do outro lado do mundo. E lamento informar que para comer comida chinesa, é mesmo necessário ir à China! É porque não tem nada a ver com os “típicos” restaurantes chineses que se proliferaram por Portugal.

Macau, região especial administrativa da China, parece uma mini Las Vegas. Casinos atrás de casinos são construídos pelos chineses e norte-americanos. Confesso que fui tentar a minha sorte, mas a única coisa que consegui trazer de lá foi a lembrança dos hong kong dollars que levava no bolso e que lá deixei ficar. Já agora e a propósito, a moeda macaense é a pataca, mas e como por norma os hong kong dollars valem mais, nos casinos não se aceitam patacas. Mas valeu a diversão, porque desta vez e sem pagar, ainda tive direito a um inesperado espectáculo do cantor (talvez americano ou inglês, não sei bem…) que decidiu cantar e exibir o seu baixo-ventre nas suas calças de cabedal apertadinhas, para a minha pessoa! Bem ao estilo do George Michael…
Na memória trago de Macau, em especial, os Templos das Deusas com o cheiro dos incensos e os jardins que são de uma beleza invulgar. Assim como as placas das ruas que são bilingues. As Ruínas de São Paulo e o Leal Senado dão uma beleza especial a Macau.

A cidade de Hong Kong é uma grande metrópole, mas saindo do centro da cidade com direcção a “Stanley Market” a viagem é encantadora, porque nem a uma hora de distância vemos praias e ilhas dispersas pelo oceano que tão bem compõem a paisagem. E como não poderia deixar de ser e porque é da praxe, fomos ao Pico de Hong Kong (“The Peak”) onde se tem uma bela visão de toda a cidade.

De referir, que ir à China e não ir ás compras não tem piada nenhuma… Pois é, depois de pagarmos o visto fomos à parte chinesa que faz fronteira com Macau e que já não é nenhuma região administrativa especial, mas directamente obediente a Pequim. Logo nos postos de controlo de passaportes e do visto senti a diferença de não estar numa região especial administrativa! As caras sisudas e nada simpáticas da polícia impõem respeito. Mas uma vez do outro lado da fronteira: Bem-vinda ao mundo da contrafacção! Ir ás compras é mesmo uma experiência inesquecível, regatear preços requer mesmo técnica. A minha cicerone no Oriente, amiga com quem fiz a viagem e que já lá viveu antes de entrar na Faculdade onde nos conhecemos, sabia bem os truques todos. Foi o que valeu, porque sozinha seria bem enganada!

Fica aqui uma pequena ideia daquilo que esta parte do Oriente pode reservar-vos, ainda que fiquem muitas mais coisas por dizer. Gostaria de regressar ao território, mas ás cidades mais imponentes como Pequim e Xangai, bem como à mítica Muralha da China. Quanto ao regresso, o mesmo trajecto mas ao contrário com as mesmas horas de viagem, com a única diferença de que a viagem do Ocidente para o Oriente parti num dia e cheguei no dia seguinte. Do Oriente para o Ocidente parti e cheguei no mesmo dia, visto que nos separam 7 horas de diferença horária, 7 horas essas que temos a menos.

P.S:Lá não existem os comportamentos politicamente correctos com que estamos habituados. Se tiveres aflito dos intestinos deita o gás cá para fora, porque guardá-los não faz sentido (peidar à vontade), os arrotos também não se guardam. Bocejar e tapar a boca não hábito e meter os dedos no nariz mesmo que se esteja a almoçar não tem mal nenhum…

domingo, maio 06, 2007

Comecemos já a cantar a canção!







Lancemos hoje a profecia!!

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

(...)
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Semana de desintoxicação

Já exerci o meu direito de voto. Agora vou apanhar um avião para uma semana de ares mais democráticos... Até breve!

quinta-feira, maio 03, 2007

Sondagem RTP/RDP/JN - O que não nos dizem os números.

A sondagem da RTP/RDP/JN apontam o reforço da maioria absoluta do PSD com 70% dos votos e a descida do PS para uns meros 20%. A sondagem foi feita porta a porta com recurso a urna fechada. De momento desconheço mais pormenores da ficha técnica da sondagem mas teço desde já algumas considerações.
Há que ter em conta uma questão crucial em relação ao método de realização da sondagem.
O recurso porta a porta é, por experiência própria o mais propício a enviesamentos. O porta a porta recorre à técnica de random route. É escolhido um ponto aleatória de partida, geralmente tendo por base os registos eleitorais, o entrevistador deve de seguida de x em x casas entrevistar o residente. (número definido por quem encomendou o estudo) a cada junção de estradas deve alternadamente virar a esquerda e na seguinte à direita dirigindo-se alternadamente as moradias à esquerda ou direita da rua dependendo para que lado virou.. No caso de deparar-se com apartamentos ou alguém não abrir a porta a complexidade aumenta, não devendo o entrevistador cair na tentação de bater a todas as portas.

As vantagens do porta a porta são as seguintes

Pode poupar tempo na recolha de dados

O entrevistador não pode escolher a que portas bater, o caminho e as portas a bater são definidos a partida,

As desvantagens

As características da área escolhida para realizar o porta a porta (por exemplo rural/urbano, área pobre/rica) conduz a que muitas vezes a amostra não seja representativa.

É extremamente permeável a abusos por parte do entrevistador devido a dificuldade em confirmar a execução correcta das instruções de recolha de dados.

Estes números são claramente vitimas de graves problemas de recolha de dados, mas enfim como dizem as sondagens valem o que valem, eu por formação, há muito que aprendi a questionar os números. Números tão altos têm um efeito desmobilizador para os vencedores virtuais e de mobilização para os mais prejudicados nas sondagens. Domingo vai estar sol, praia, dia de ir almoçar com as mães... Deslumbrem-se com os números virtuais… citando um grande”filosofo do quotidiano”, prognósticos só no fim do jogo!

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Por uma verdadeira politica cultural na Madeira II

A democracia cultural, mais do que permitir o acesso aos bens culturais (como acontece na fase de democratização) vem abrir o campo, ultrapassa a lógica da fruição, centrando-se na criação, na dessacralização do objecto cultural. Mas, se em sociedades mais desenvolvidas que a nossa tal transição é difícil, imaginem a tarefa hercúlea que não seria na nossa ilha.. Por isso, sem querer dar um passo maior que a perna, centremo-nos em objectivos mais realistas, o de promover uma democratização cultural sustentada, com uma programação cuidada e preocupada com a formação de públicos.
Olhemos para a programação: a programação cultural na Madeira prima precisamente pela a ausência da mesma. A planificação, não vai além de festa para turista ver. A preocupação com o público madeirense é incipiente.
Na Região, festivais de jazz, de cinema, teatro, exposições, ainda assentam numa lógica hierárquica de modelo cultural. O acesso apesar de livre e democrático é vedado por mecanismos simbólicos e económicos. Existe uma demarcação clara do que é cultura tida por alta, apregoada pelos que dominam o campo, e que pode ser encarada como fruto de um gosto cultivado e a cultura de massas que abrange o restante público. Enquanto não conseguirmos ultrapassar esta dictomia, através da promoção do contacto do indivíduo com as obras culturais de modo a dessacralizar o objecto artístico e quebrar barreiras simbólicas, não conseguiremos ultrapassar este modelo hierárquico de cultura.
Outro entrave, são os custos económicos, com efeito a insularidade tem custos que inflacionam o preço a pagar pelo acesso à cultura, mas outro factor a ter em conta é o nosso PIB empolado. No caso do teatro, a mesma peça cujo o bilhete em Bragança custa 10 euros na Madeira poderá custar 20 euros. Este preço não advém dos custos da operação logística de trazer um espectáculo à região, mas do critério adoptado pelas companhias (que são subsidiadas pelo Estado) no sentido de promover a formação de públicos! Assim 20 euros, tendo em conta o PIB regional seria o preço “justo” a pagar e que permitiria um acesso generalizado da população à obra. O que acontece, é que por força da falácia dos números exclui-se o acesso mais alargado.
Mas se o custo elevado a pagar é um entrave a formação de públicos, o contrário também pode ser verdade! A “ausência” de custo, e o acesso indiferenciado também são factores perniciosos. A sociedade madeirense, de forma geral, não está habituado a pagar pelo acesso a bens culturais. A lógica do convite impera sobre o desejo de ir ver, o acesso grátis a eventos, como concertos (atentemos por exemplo ao período de campanha), criam a assumpção da cultura enquanto bem adquirido, fornecido sem custos para o utilizador. As outras regiões do país também não são exemplo a nível da implementação de politicas culturais, mas existe a noção de que é preciso pagar para aceder. Sem querer entrar nos meandros da qualidade musical de um Tony Carreira, a verdade é que este enche, a pagar, o pavilhão Atlântico, duvido que conseguisse o mesmo numa sala bem mais pequena como a do Técnopolo. Nivela-se por baixo a qualidade em detrimento da quantidade, os critérios de programação passam por adquirir espectáculos ou eventos culturais estandardizados ou limitando-se a grandes encenações mediáticas para consumo externo (Carnaval, Fim do Ano, Festa da Flor etc.) Assim, não se criam públicos pois tal implicaria o envolvimento dos mesmos na selecção daquilo a que quer aceder. Paradoxalmente, na região, parece passar-se precisamente o contrário. A procura é que se adapta a oferta, Vamos ao que há, seja um festival de música electrónica porque vão todos, ao concerto do Tony Carreira ou da Fáfa de Belém num comício porque é grátis, vamos ao arraial dos Lameiros porque fica bem ser visto por lá, vamos ver o Fogo do Festival Atlântico porque sim…
Há que encontrar um meio-termo, um compromisso de qualidade, que se preocupe com a formação de públicos, que não entenda o mesmo como uma massa homogénea mas como um mosaico de auditórios parcelares. A este propósito, como já referi noutro post, a Fnac é exemplo de como é possível dessacralizar a cultura sem a massificar, atendendo às necessidades de consumo diferenciadas dos auditórios parcelares.
O acesso à cultura deve ter custos, custos suportáveis que sejam justificados pela qualidade e diversidade de oferta, que tenham em conta o poder de compra real, no caso de entidades subsidiadas, e as regras de mercado no caso de outras. Não é só democratizar, há que atentar na qualidade da democratização! Este conceito, deve ser entendido como o acesso de vastas populações a TODOS os níveis de cultura e não um nivelamento por baixo (cultura de massas) ou por cima (cultura erudita como oposta ao mercado) desses mesmos níveis de cultura. Só assim conseguiremos romper com o modelo hierarquizado que impera na região, passo fundamental em direcção a uma verdadeira democracia cultural.

Por uma verdadeira politica cultural na Madeira I

A cultura segundo Goldmann, é definida como a articulação entre o saber constituído e a experiência existencial. Logo a obra cultural é a materialização do saber, do modo de ver, de pensar e agir do criador. Nesta lógica os consumidores com a mesma visão do mundo do criador identificam-se com a obra. Verifica-se uma homologia entre a dimensão material e a dimensão ideal, que traduzindo para a linguagem Bourdiana assinala a homologia entre as estruturas mentais do consumidor cultural e a posição social que este ocupa na estrutura de classes. O gosto, os consumos realizados a nível cultural está então eminentemente ligado às condições sociais e económicas que caracterizam determinada posição dentro do campo cultural.
Dentro deste campo específico o indivíduo ocupa determinada posição de acordo com o peso relativo do capital que possui e a valorização que este tem dentro de um campo específico. É este capital que define as probabilidades de ganho no campo. O campo cultural obedece também a esta lógica, Existe uma luta entre dominantes e d dominados em que os primeiros tentam impor a sua visão de cultura, que ao tornar-se dominante é legitimada.. `we a partir deste pressuposto que surge a ideia restrita, que ainda hoje prevalece, de cultura como cultura cultivada imposta por aqueles que dominam o campo.
Esta visão um pouco simplificade de uma realidade muito mais complexa, é também verdadeira no caso da sociedade Madeirense. Nos últimos anos assistiu-se a um proliferar de equipamentos culturais acessíveis a todos (?).. O problema é que ficamos por aí, paramos na segunda geração de politicas culturais, a da democratização cultural. A lógica é a seguinte: as infraestruturais existem, a oferta existe (?) todos podem usufruir a cultura esta democratizada! Ma é preciso mais que democratizar, possibilitar o acesso a… Há que promover uma terceira geração de politicas culturais, instaurar a verdadeira democracia cultural! É precisamente nessa transição que o peso dos que dominam o campo cultural regional se faz sentir de forma mais premente.

No proximo post analisaremos de forma profunda a realidade em termos de politica cultural na R.A.M.

 
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