Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

segunda-feira, março 12, 2007

Rua da Alegria de muitos, Rua da Tristeza de algumas....

A prostituição de rua é um fenómeno que não pode ser ignorado na região. Nos últimos anos temos assistido a um crescendo inegável de mulheres que pelas mais diversas razões vêm-se obrigadas a enveredar por trajectos excludentes. A prostituição é um fenómeno social que tem atravessado séculos, ora consentida, ora reprimida e perseguida, em nome da moral e bons costumes e da saúde pública, ora readmitida e tolerada de forma a evitar mal maior, logo ,tida como um mal necessário.
Ao lado de todas as explicações para essa profissão, e dos preconceitos em torno de quem a pratica, não existe uma intenção clara de erradicar a prostituição. A luta de forças parece dar-se no terreno da reclusão das mulheres em zonas, especificas do tecido urbano conotadas com tal prática. Essa prática seria um "mal necessário", parte integrante de sociedades forjadas na desigualdade de bens e consumo.
No entanto, encarar tal problema como um “mal necessário” não implica ignorar a sua existência., há que criar condições para que estas mulheres quebrem o ciclo vicioso de exclusão em que caíram, transformando-o numa espiral ascendente de integração. O primeiro passo no sentido da integração, passa pelo diagnóstico da situação. Empiricamente, constatamos que de dia para dia o numero de prostitutas de rua aumenta na região, existindo ruas sobejamente conhecidas por serem as principais montras desse negocio degradante para a mulher. Há que perceber as necessidades que movem essas mulheres de forma a encontrar ferramentas de intervenção que permitam a devolução da dignidade que lhes assiste.
A prostituição sempre carregou e continua muito próxima a outros problemas subjacentes, crime, droga, tráfico de mulheres, pobreza, desemprego. È também sinal da crise que se instala, com a falta de acesso ao mundo do trabalho, os sujeitos a quem é vedada a entrada licita no mercado de trabalho, a médio prazo tendem a enveredar por vias ilícitas e degradantes da condição de cidadão de plenos direitos. Tal facto é agravado pela falta de respostas institucionais e politicas sociais que acautelem o surgir de tais fenómenos. È por isso urgente a criação de uma equipa multidisciplinar que analise a abrangência do fenómeno na região, fazendo um estudo profundo dessa realidade encoberta. Tal diagnóstico é necessário no sentido de implementar medidas efectivas adequadas as características especificas do grupo em questão.
Vários estudos apontam que os centros de prostituição têm maior incidência em zonas comerciais e turísticas com implicações ao nível da insegurança e degradação da qualidade por via das questões subjacentes, referidas anteriormente. Não é de hoje que lazer, turismo e sexo estão relacionados, vários destinos a nível mundial, carregam o estigma de destinos de turismo sexual, tal conotação, é extremamente danosa levando em ultima estância a um decréscimo na procura do destino por via da degradação da oferta advente do elemento estigmatizante.
Apesar de estar convictos que na região ainda não atingimos tais níveis, corremos o risco, se a actuação não for imediata, de assistir a um aumento exponencial da oferta. Margarida Barreto (1995) define o turismo como “ uma actividade em que a pessoa procura prazer por livre e espontânea vontade. Portanto, a categoria de livre escolha deve ser incluída como fundamental no estudo do turismo”. Tal definição acentua o carácter hedonístico associado ao turismo, Se não agirmos sobre a oferta a procura aparece, dando azo a uma economia paralela q poderá degradar o destino Madeira a médio prazo. Por conseguinte, esta é a altura ideal de intervenção, procurando conhecer as razões que conduzem a tal opção de vida de forma a combate-las, eliminado de raiz as causas que levariam a pessoa a optar por tal via desesperada de sobrevivência económica. Não falo de repressão mas de integração, combater as causas, não as vitimas. Dar oportunidades, não impor vontades!

2 Comments:

Blogger stanica said...

É uma realidade que nos últimos 5 anos quando vou passar férias à ilha, me tenho deparado com algumas situações de "exposição feminina" nas ruas secundárias do Funchal. Se já existiam, e sabemos que já, não eram de forma tão clamorosa como nos dias de hoje.
Contudo, e no que toca à problemática em questão, a prostituição é sobejamente conhecida como a mais velha profissão do mundo. Existe desde sempre e creio que sempre existirá.
Gostaria de dar uma abordagem diferente à prostituição. Ainda que seja absolutamente verdade que quem a tal se sujeita é por norma quem vem de meios precários, com graves carências aos mais diversos níveis, sendo que este acaba por ser um dos escapes como meio para a sua sobrevivência. Todavia, é também verdade que, e como em tudo na vida, nada é totalmente línear!
Numa perspectiva pessoal, creio que o fenómeno de emigração que Portugal tem sofrido no decorrer da última década é uma das razões para o aumento da prática em discussão. Mas o que queria ressalvar, são aquelas que se prostituem por ser a via mais financeiramente fácil e altamente rentável. Documentários e reportagens já foram feitas em que há raparigas que se protituem porque podem vestir as roupas de marca que tanto desdenham quando passam pelas montras das lojas. Não são obviamente uma maioria, mas este é um fenómeno em ascensão no mundo, ou sub-mundo, da prostituição. Há variadissimos tipos de prostituição, ainda que o fim seja exactamente o mesmo... Há quem faça a distinção entre "rafeiras" e de "luxo"!

Não sei se saberás que em Itália estas senhoras têm um sindicato que zela pelos seus interesses. O que acaba por ser melhor, na medida em que há melhores condições de higiene e consequentemente maior controlo na propagação de doenças, tanto para as mesmas, assim como para os "consumidores". Já para não falar de não haver uma hipocrisia tão enraízada, que ao invés de ignorar o problema dá-lhe uma solução mais coerente com a realidade.
Se em Portugal fossem sindicalizadas teriam que descontar para o IRS, certo? Ajudavam a combater o buracão da Segurança Social, não era?! (este comentário inicialmente foi a brincar, mas agora que penso não acho que seja má ideia... ainda que confesse, que seja um pouco de mau gosto).

Mas e falando da mítica cidade europeia, Amesterdão. Há quem diga que o Bairro Vermelho dá mais dignidade à profissão pelo facto de não estarem espalhadas pela rua.
Honestamente, quando lá fui não achei minimamente mais digno! Achei tão degradante como vê-las na rua, pois elas estão expostas através de um vidro como se de mercadoria tratasse.
O fluxo de turismo no caso particular de Amesterdão não tende a diminuir. Sinceramente acho que é um dos locais no TOP TEN do guia da cidade, de tanta atracção e curiosidade que disperta.

A prostituição sempre teve uma conotação negativa e há-de ter sempre. Parece contra-natura e anti-romantismo a ideia de ter que "vender" o corpo. Tempos houve em algumas sociedades em que independentemente da má fama das prostitutas, estas eram pessoas instruídas,com cultura. Não eram tidas como meras prostitutas de rua, eram damas de companhia de senhores de classe alta, que os entretinham e acompanhavam para quase todo o lado. Designadamente as gueixas no Japão.

20/3/07 20:37

 
Blogger stanica said...

Uma gafe! Venho corrigir uma gafe que cometi neste texto. No parágrafo que começa com " (...)numa perspectiva pessoal (...)" quando refiro "desdenham" é absolutamente contraditório com a minha ideia. Seria "desejar" e não "desdenhar", porque a finalidade é naquele contexto, querer e desejar. Peço desculpa pelo erro. Assim já faz sentido!!! ;)

24/3/07 19:59

 

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