Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A profecia

Tentem encontrar lógica na seguinte situação, um homem divorcia-se para anunciar logo de seguida que vai casar de novo, o mais breve possível, com a mesma mulher, caricato? A situação em nada muda, apenas gastos supérfluos com advogados e afins e mais uns milhares de euros para o copo de água. Tanto mais bizarro se equacionarmos que o ordenado dos cônjuges sofreu um corte e o tempo é de contenção. Alberto João Jardim, numa jogada que alguns consideram de génio, outros de pessoa demente, decidiu fazer exactamente isso! Demitiu-se para voltar a candidatar-se... o objectivo? Contrariar a profecia auto-cumpridora em que o próprio PSD-Madeira já acreditava, que sairia derrotado em 2008!
Existem hipóteses que por força da repetição e mecanismos subliminares de inculcação acabam por se tornar factos. Tinha um amigo na faculdade que era tão bom aluno que mesmo que a prova lhe corresse super mal, como o próprio admitia, não tirava menos de 16. Claro que não lhe tiro o mérito, bem pelo contrário, não foi à toa que recebeu o galardão de um dos melhores alunos da universidade do Porto num universo de 50 000, mas como o próprio admitia, por vezes as expectativas dos professores em relação aos seus exames e trabalhos eram de tal ordem que, algumas das suas notas eram empoladas para além do que daria a si mesmo caso fosse ele o avaliador. É um exemplo da força das profecias auto-cumpridoras, as expectativas têm a peculiar tendência a se tornarem reais por força da generalização da mesma.
Esse mecanismo, já estava em marcha, profetizando a perda da maioria absoluta do PSD em 2008, não tenho a menor dúvida que tal aconteceria e pelos vistos a máquina laranja também não. A solução? Antecipar os prazos, combater a profecia com outra profecia, a da vitória esmagadora nas eleições antecipadas! A vox populis não mente, assiste-se neste momento a um sentimento geral de apoio a decisão de Jardim, a mole popular aplaudiu, encontrou lógica no que não tem cabimento. Não está em causa mudança mas a perpetuação de um sistema que estrangulou a Madeira, que comprometeu o crescimento sustentável da região! Admito, que muito se fez, obra realmente não falta, mas entre infra-estruturas prioritárias, como uma rede viária moderna e eficiente(?), encontramos outras que são exemplos gritantes de despesismo inconsequente! Obras que nem pagas estão! Obras que em muito ultrapassam os 34 milhões que a região vai receber a menos este ano e que servem literalmente para nada! Parques industriais que servem de pasto, marinas megalómanas sem qualquer utilidade, parques temáticos às moscas com gestores que limitam-se a esperar pelo fim do mês, só para mencionar algumas! O que o povo não sabe é que essas obras vão-lhes ser cobradas! Quem ganhou? Meia dúzia de clientes do regime! Mas como o bolo agora é mais pequeno toca a fazer a tal sangria interna a que se referiu Jardim, as tetas da porca laranja já não chegam para tanto leitão, por isso dispensa-se os mais “fracos”.
Com o circulo uninominal a influência concelhia na elaboração das listas desaparece, para dar lugar (mais visível ainda) aos lóbis empresariais! Chegou a época de glória do deputado/empresário, que aprova concursos de manhã na assembleia para concorrer à tarde!
Mas perante a força da profecia laranja qual a estratégia que o P.S-Madeira deve adoptar? Desconstruir o discurso contraditório de Jardim, que num dia declara guerra a Sócrates e no seguinte prepara o cachimbo da paz. O homem que um dia disse que conseguia governar sem dinheiro e que chora quando o novo “gerente do banco” resolve disciplinar as contas! Ferreira Leite foi a primeira “gerente” a avisar, mas ninguém se lembra! Demonstrar quem realmente ganhou com a Madeira Nova, não deixa de ser irónico que o sinal do senhor ( a típica bandeirinha do PSD que se vêm em algumas “moradias”) sejam ostentadas por aqueles que nada têm, no cimo de postes em telhados de zinco... Ostentar o sinal do senhor na esperança que se lembrem deles... estão à espera até hoje.... enquanto os leitões engordam!
Quero uma Madeira Nova, uma Madeira realmente livre em pensamento, actos e opiniões, onde a competência não seja preterida em relação ao compadrio, uma Madeira que seja realmente de todos.... Esse dia chegará... A profecia lançada por Jardim ofusca, o povo deleita-se com o brilho do ouro dos tolos, mas o tempo oxidará todo esse brilho!
Os ventos da crise há muito que sopram e a tempestade será cada vez maior e a culpa não é de Sócrates, Jardim é que plantou as sementes da crise e quer imputar as responsabilidades ao Governo central... A César o que é de César!
Mas lanço daqui outra profecia, mais forte do que a de Jardim! Aproveite o seu ultimo mandato, o tempo extra que comprou, porque o povo vai acordar, farto do torpor a que foi sujeito, esperei 27 anos, mais dois que o previsto são um sacrifício aceitável. Em 2011 não perderá apenas a maioria absoluta, em 2011 uma Madeira Nova começa, a da liberdade! Obrigado jardim pensava que esse dia só chegaria em 2012

The times they are a-changin

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' whoThat it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'

Bob Dylan

4 Comments:

Blogger stanica said...

Dificilmente conseguiria expressar-me tão bem,de modo tão sintético e claro como aquele que conseguiste. Por isso e antes de mais, os meus parabéns pelo post que está muito bem conseguido!
Complicado será acrescentar mais alguma coisa áquilo que já foi dito. Concordo em absoluto com as tuas palavras e já agora lanço aqui a sugestão de te dedicares à escrita, porque honestamente a forma como os vocábulos fluem na tua prosa é deliciante.
Áparte de partidos e políticas, a verdade está em cima da mesa e para quem quiser ver. Surpreendente foi constatar que muita gente houve a cair neste "teatro" de última hora!
Não quero, porém, deixar de registar que a SUA estragégia acabou por surtir efeito e que foi de alguma maneira bem pensada, ainda que considere um golpe de "lunático". Mas um "lunático" com legitimidade, pois por muito que se possa discordar da sua actuação, o certo é que é legal esta sua decisão (Mais cedo ou mais tarde, creio que lhe custará caro).
Gostaria que a tendência natural da maioria dos eleitores madeirenses nas urnas revertesse à última da hora. Mas como não sou utópica neste âmbito, sei que sairá vencedor uma vez mais... Como gostaria de estar errada!
Mas já que mencionaste a Ferreira Leite (ministra do PSD), também gostaria (e porque gosto de me considerar independente nestas questões políticas, ainda que seja do conhecimento público o meu pendor)de salientar que o PS tem algumas culpas no sucedido. Ferreira Leite AVISOU, mas Pina Moura na altura em que era ministro no Governo de Guterres, NEGOCIOU! Refiro-me à tão polémica Zona Franca da Madeira. Os ministros (Guterres e Pina Moura) preferiram aliar-se, e sublinho aliar-se, a Jardim relativamente à aprovação do Orçamento de Estado ou da Reforma Fiscal que remonta ao ano de 2000. Verdade se diga, Guterres é um fantástico dilpomata o que não faz dele um bom governante. Ao contrário de Tatcher este não tinha Pulso De Ferro, o que acaba por ser deveras importante e determinante na arte de governar!
Acho hilariante a tua constatação, em absoluto verdadeira, sobre o governar com meios económicos. É puramente verdade que o líder madeirense sempre gostou de dizer que não era o dinheiro que fazia dele um bom governante. Nota-se?! Bastou que se fizesse cortes no orçamento e instalou-se o pânico! É como já se diz, é fácil governar quando os cofres estão recheados. Onde estão (e plagiando uma recente expressão de Jardim) os testículos deste Senhor para admitir a verdade, ao invés de iniciar charadas políticas que em nada beneficiam a Madeira e os madeirenses?! Não os tem???? Parece que não...
Todavia, costumo dizer ás pessoas que mais me são chegadas e com quem debato estes assuntos, que Jardim é como uma "FACA DE DOIS GUMES"!!! Indiscutivel será concordar que há obra feita na Madeira (algumas só para o povinho ver, como em qualquer outro lado). Mas apraz-me ver as estatisticas quando a Região está colocada em 2º lugar no "ranking" das regiões desenvolvidas. Esse mérito não nos podem tirar, de facto. Porque se se é inteligente para aproveitar as subvenções que nos enviam para desenvolvimento da região (que ás vezes de modo obscuro são aproveitadas em beneficio particular de alguns), deixem-me que vos diga que é então necessário que se seja muito BURRO para nem sequer encetá-las como sucedeu nalgumas regiões em Portugal Continental!
E porque o comment está deveras extenso findo por aqui.

23/2/07 20:54

 
Blogger Tino said...

Muito bom, este post. É um quadro quase fiel da politica madeirense.
Mas como eu sou um optimista convicto, quero que se crie neste momento a profecia da mudança, já.
É necessário que aqueles que têm um olho em terra de cegos, não ponham a mão á frente do olho mas que a usem para trabalhar em prol da mudança necessária

Se quiseres ajudar contacta-me

sergio.d.rodrigues@gmail.com

24/2/07 11:01

 
Blogger BarreteDeOrelhas said...

Antes de mais quero congratular-te pelo post. É das melhores coisas que li ultimamente, e não estou a falar unicamente da blogosfera, mas de todo o universo da comunicação. Fico com um certo brilho nos olhos só de pensar que um texto desta qualidade está escrito num espaço que ajudei a criar... e isto apesar de não concordar totalmente com o que está escrito.

Passando à questão em si: se calhar sofro de um pouco de pragmatismo excessivo, e se calhar não tenho assim tanta fé na democracia, pois este assunto não me causa revolta (se calhar com alguma pena minha). Sejamos então pragmáticos: quem tem mais votos ganha, quem ganha governa, e parafraseando Churchill, "cada povo tem a classe politica que merece"...Ora se o senhor ganha eleições, isso quer dizer que a maioria gosta dele. Alguém me disse: mas democracia é também o respeito pelas minorias... e aqui surge o meu problema, resultado da minha abordagem pragmática da democracia: a democracia é a ditadura da maioria, e o respeito pelas minorias é um princípio, não uma obrigação. Sou obrigado a vislumbrar a democracia não como um conjunto de valores e principios, mas como um mero sistema polítco, como qualquer outro. Caso Machico e Porto Santo coninuassem a ser de outra cor partidaria, nada impedia o poder regional central de continuar a ostracizar a oposição e ganhar eleições. Se o senhor quer demitir-se, despir-se, cantar ou rebolar, cabe aos eleitores avaliar o seu desempenho e agir em conformidade nas urnas. O problema do eleitores neste caso especifico é outro: alternativas? Ao longo destes longos anos todos os que procuraram apresentar-se como alternativas seguiram um de dois caminhos:
1) desistiram, perante a feroz batalha (nem sempre leal) que o senhor lhes apresentou, não estando disposto a enfrentar as consequencias do seu desafio.
2) procuraram lutar com as mesmas armas, entrando num jogo onde não podem ganhar a AJJ, tornando-se verdadeiras anedotas ambulantes.
Não vejo o porquê de considerar que estas eleições estão ganhas pelo PSD. Quando me vêm com o argumento das pessoas do campo só me fazem rir. O campo representará 10 a 15% do eleitorado madeirense. Também me apresentaram o argumento de que no Funchal muita gente trabalha para o governo e tem medo... até acredito que muita gente se sinta demasiado intimadada para falar, mas nas urnas, entre 4 parades sozinho, ninguém se pode sentir intimidado (a não ser que seja terminalmente parvo). Então porque é que o senhor vai ganhar as eleições? Pessoalmente não sei se vai, mas é esse o feedback que tenho recebido da ilha, e como estou um bocado distante só me resta acreditar. Sinceramente sempre fui um apoiante do trabalho do senhor (não tanto do estilo)porque acima de tudo sou pragmático e não acredito que qualquer outra pessoa tivesse feito tanto pela Madeira como se fez nestes longos quase 30 anos. Os clientelimos são uma externalidade que não desfaz a obra, com ou sem mamarrachos. Sinceramente estou à espera do candidato que diga: tenho muito respeito pelo que foi feito, mas este ciclo acabou e aproximasse um novo ciclo. É preciso manter muito do que está bom, e melhorar o que não está. Esse candidato teria o meu voto. Esse candidato poderia surgir de qualquer partidária (PSD inclusivé).
Quanto ao acto especifico de se demitir para convocar novas eleições, não vejo nada de novo. AJJ sempre procurou obter os seus objectivos agitando as àgua, provocando polémica, e esta foi a forma que encontrou para fazê-lo (mais de 20 anos de de utilização da mesma estratégia já não lhe deixam muitas opções). Acima de tudo, AJJ é um candidato fortíssimo nas eleições porque o povo madeirense não é ingrato, e sabe o que ele fez pela ilha. Por esse mesmo motivo dificilmente será derrotado nas urnas por um candidato que entre directamente em confronto com ele, apenas por um candidato que permita uma transição tranquila e que respeite o trabalho feito. Digo que vai ganhar as eleições porque é esse o feedback que tenho recebido, mas se tal não acontecesse não ficaria totalmente surpreendido... afinal, também De Gaulle estava certíssimo que ao convocar um referendo sobre uma revisão à constituição o povo apoiaria o seu herói que coordenou a França durante e após a guerra. A profecia auto cumpridora só o é, quando acontece. Por muito que nós portugueses acreditemos que temos um fado, quando não acontece, não passa de uma hipótese que pareceu altamente provável em determinado momento no tempo. De Gaulle enganou-se...

25/2/07 01:04

 
Anonymous Paula e Rui Lima said...

Olá!

Se gostas de cinema vem visitar-nos em

www.paixoesedesejos.blogspot.com

todos os dias falamos de um filme diferente

Paula e Rui Lima

1/3/07 11:00

 

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