Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Saddam Hussein

Já se passou algum tempo desde a execução de um dos maiores ditadores da História Mundial. Um misto de sentimentos, uma divisão entre o ódio e talvez alguma pena quanto ao sucedido. Indubitável será ficar-se indiferente ás atrocidades que este homem cometeu. Acusado de massacres contra vidas humanas, pelo menos 148 xiitas foram chacinados na cidade de Dujail. No decorrer da Guerra contra o vizinho Irão, na década de ’80 a aviação iraquiana lançou agentes químicos sobre a cidade Halabja que causou a morte de 5 mil curdos e 10 mil feridos, estimando-se 1 milhão de mortes de ambos os lados. Só no espaço de um ano, entre ’87 e ’88 foi responsável pela morte de 100 mil pessoas. Responsável, ainda, pela invasão ao Kuwait.
Homem severo e reconhecidamente intolerante, deu ordem de expulsão e de exílio aos seus muitos opositores, para além de tê-los perseguido e tê-los executado.

Contudo, o que me leva a escrever não será tanto o seu curriculum capaz de arrepiar qualquer um, mas sim a pena de morte que lhe foi aplicada. Assisti a uma certa pena de pessoas que convictamente defendiam a sua execução, como forma de ajustar contas com o mundo, pelo mal e sofrimento que causou a seres humanos durante a vigência do seu longo mandato. É verdade, pena e perplexidade foi aquilo que vi nos olhos das pessoas que em directo ou em diferido assistiam ás imagens do sucedido.

Dilema dos órgãos de comunicação social quanto ao passar as imagens na íntegra. Em Portugal a maioria dos canais televisivos optou por não mostrar na íntegra. No canal público RTP, José Alberto de Carvalho foi o “mensageiro”, se bem me recordo algum desconforto notei na forma como deu a noticia. Levantaram-se vozes contra a forma como os canais televisivos mostraram as imagens. Mas nestas circunstâncias que conduta deverá ter um jornalista? Queriam que escondessem aquilo que efectivamente aconteceu, uma espécie de verdade escondida? Aquilo que está ao acesso de qualquer pessoa que possua Internet? Não sei… decisão difícil!

A este propósito, uma das primeiras coisas que me surgem na cabeça e que jamais esquecerei, até porque o canal História mostra muitas vezes, é o caso do ditador romeno Nicolau Ciaucesco e da sua mulher que foram executados a sangue frio com tiros encostados a uma parede. Imagens que pela sua natureza jamais esquecerei, uma brutalidade. A diferença entre o fim dos dois ditadores é que, um teve um julgamento, supostamente, imparcial (e sobre isto prefiro não comentar, porque daria “pano para mangas”), sendo que o outro nem direito a julgamento teve.
São marcos históricos, não podemos ignorá-los e escondê-los. A história faz-se do melhor e do pior…
Se se concorda com estas “Vindictas”? (permitam-me que opine, porque as considero, de certo modo, medievais) mas essa é outra questão. Pessoalmente, orgulho-me de Portugal ter sido um dos primeiros países abolicionistas da pena de morte. E assim sendo, para bom entendedor meia palavra basta.

1 Comments:

Blogger BarreteDeOrelhas said...

Pessoalmente sou totalmente contra a pena de morte mas, ao contrário da camarada autora, não porque considere que seja um tratamento medieval ou desumano. Acredito piamente que 40 ou 50 anos numa cela de 2m por 3m muito pior para o ser humano do que a pena de morte, ou não é à toa que os condenados a largas penas de prisão são controlados através de constantes "Suicide Watches".
Concordo no entanto em parte com o argumento do "medievalsimo" da prática, mas no sentido em que um tribunal ou um estado não devem ter o direito de agir da mesma forma que o condenado, perdendo-se assim a ideia de clarividência e o estatuto de instituiçãoreguladora e moralmente superior. Se uma instituição ordena após ponderar todos os factores, uma execução, não considero essa atitude muito diferente de um estratega militar iraquiano que, após analisar cuidadosamente o campo de batalha, ordena o ataque ao inimigo com armas químicas. Não acredito na clarividência de qualquer decisão baseada na ideia vingança.
Se é para praticar o "olho por olho, dente por dente", então sinceramente perfiro a solução romena, onde os intervenientes sempre têm o argumento da atitude tomada pelas partes prejudicadas, "a quente", em circuntâncias turbulentas e incontroláveis.

31/1/07 22:20

 

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