Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

segunda-feira, novembro 06, 2006

Referendo ao Aborto

( Gustav Klimt "a vida e a morte")

Será esta uma questão entre a vida e a morte? Estaremos todos consciêntes de toda a problemática que envolve esta questão? De que trata, efectivamente, o aborto ou o direito ao aborto?
Pessoalmente creio que a discussão não deveria ser, como tem sido sistematicamente, concernente pura e simplesmente ás nossas convicções pessoais. Ainda que indossociáveis e de extrema relevância, as convicções e príncipios com que crescemos têm também que se adaptar à realidade da sociedade na qual nos inserimos.
O debate deveria incidir sobre a realidade e não uma ideologia ou ficção daquilo que o problema representa efectivamente.

Oiço com muita frequência a questão e até o argumento de que ninguém tem o direito de "tirar" a vida a ninguém ( e neste âmbito entra uma outra discussão relativamente ao facto de quando começa a vida). Mas pergunto, terá também um Estado de Direito o direito de regular tais escolhas tão pessoais e tão íntimas pelos seus cidadãos? Não será tal um paradoxo por parte de quem se opõe veementemente à possibilidade de discriminalização desta matéria?

Haverá, assim, tamanha descrença nas reais intenções das mulheres que se submetem a tal intervenção? Parece-me que quem se opõe a tal discriminalização crê que a leviandade é inerente à própria condição de ser da Mulher. Visto que o que mais me incomoda é tratar-se deste assunto como se fosse uma decisão de ânimo leve que as mulheres tomam. Se, porventura, algumas a tomam de ânimo leve e não têm consciência dos seus actos é pena que assim o seja. Mas dando a importância devida e merecida a esta "intervenção" à qual a mulher se submete, creio que a consciência e moral de cada uma será já suficientemente "punitiva" até ao fim dos seus dias...

A realidade mostra que as mulheres em virtude de tamanha repressão e desaprovação social, são capazes de cometer os actos mais desesperados e nas condições mais precárias (quando não tenham meios económicos para se deslocar) para terminar uma gravidez indesejada, o que muitas das vezes (talvez a maioria delas) resulta na sua morte. Quando não acontece entrarem nas urgências dos hospitais com hemorragias que uma vez tratadas (quando ainda vêm a tempo), a primeira coisa com que se deparam é um interrogatório da policia judiciária.

O referendo está aí à porta e, honestamente, espero que o sim vença!
Apele-se a um Estado com um papel dissuasivo e não castrador que regule de matérias tão pessoais. Se se é contra apele-se e publicite-se tal, tentando convencer que não o façam. Mas não proibam que se o faça, não creio que o Estado deva ter um papel tão regulador e interventivo neste tipo de situações. Tem que se legislar sobre o aborto, é urgente que o façamos!

1 Comments:

Blogger MB said...

Num país patriarcal como o nosso, levanto a hipotese que o aborto é visto, ainda que de forma inconsciente, como um atentado, não contra a "vida" mas contra o poder do homem. O incosnciente societal não concebe de forma plena a igualdade de generos, o direito a escolha... a mulher (infelizmente) ainda é a propriedade do homem. Muitos passos institucionais têm sido dados em direcção à equidade, mas temo que o referendo será mais um revés as pretensões de igualdade das mulheres de Portugal... O ironico é que são mulheres as primeiras a pronunciar-se, por via dos movimentos anti-aborto, contra esse grande passo, que resultaria na devolução da "propriedade" do corpo à mulher...

6/11/06 22:22

 

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