Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

domingo, novembro 26, 2006

Finalmente!

Finalmente abriu a Fnac da Madeira! O fenómeno de diversificação e alargamento de públicos, factor decisivo no sentido de romper com um modelo hierarquizado de cultura, acaba de atingir a Ilha!
Não que se possa falar de uma elite cultural na Madeira, acho que é mais sensato falar em cultura para as elites... Como cultura para as elites subentenda-se uma antestreia de um filme do Harry Potter ou uma passagem de modelos da Taos Modas no café do Teatro. Desde que apareça a foto na próxima edição da Fiesta para que todos os colegas, da respectiva secretaria regional, banco, agência de viagens ou loja de pronto-a-vestir, vejam, as elites(?) estão lá! Agora festivais de cinema no Funchal só com filmes "esquisitos" e récitas de poesia na Casa das Mudas já não vão... Ao menos se houvesse fotografo! Nem que fosse da página social da revista do Noticias da Madeira, apesar de ninguém o comprar sempre era mais uma para o portfólio. O que interessa é ver e ser visto!
Mas agora temos uma Fnac! E claro que as elites(?) marcaram presença na inauguração porque falhar a um evento desses, não ter o acesso a um convite era tombo certo dentro da estrutura hierárquica do campo onde actuam. Neste campo sui generis o capital que permite acesso à posição de dominante é medido em convites, nem que seja conseguido através da prima do tio da empregada, da chefe de uma repartição pública qualquer!
Eu não fui a inauguração, (aliás houve duas, mas a segunda era aberta ao publico por isso de pouco valor em termos da capital simbólico) fui descobri-la no dia seguinte, cheia claro, porque novidade é novidade! Mas entre os "turistas" que passam de cruzeiro pela loja encontrei também olhos que olhavam ao invés de apenas ver, sorrisos de contentamento por finalmente terem o acesso a um espaço onde além da diversidade de oferta, tem a liberdade de mexer, folhear, ouvir, até ler um livro inteiro! É um local onde a cultura é dessacralizada sem no entanto ser massificada. Este factor é, na minha opinião, a principal virtude da cadeia Fnac.
Apesar de estar sujeita as exigências da rentabilidade capitalista, não se verifica a separação entre economia e cultura, antes pelo contrário, intensifica-se a interacção entre o simbólico e o económico, reprodutibilidade e raridade já não se excluem mutuamente! A aposta na produção em massa de bens culturais e consequente saturação do mercado levou a necessidade de apostas que abrangessem novos mercados. Assim procura-se adequar a oferta a auditórios parcelares em detrimento de um público massificado. A Fnac é o exemplo definitivo desta linha de pensamento... há de tudo para todos!
Também encontrei o que há muito procurava na Madeira, uma secção inteira dedicada a minha área de interesse pessoal e académico que não exibe apenas os títulos genéricos destinados a quem se inicia ou não conhece a ciência.! Peguei no novo do Machado Pais "Nos rastos da solidão -Deambulações sociológicas", sentei-me e folheei sem pressas... As manas ainda se demorariam nas compras antecipadas de Natal...


P.S.: Já agora aconselho a descobrirem os estudos de Machado Pais, sociólogo português, cujos os estudos além de extremamente ricos em termos de contributo para a ciência, são escritos com uma tal mestria e clareza narrativa que, tenho a certeza, agradará aos caros camaradas!

2 Comments:

Blogger catia viveiros said...

Uma "lufada de ar fresco" é o que representa a abertura da FNAC na Madeira. Ninguém gosta de admitir que somos limitados, mas a realidade é que o somos e muito no aspecto cultural na nossa ilha! A insularidade nota-se nessa vertente. Temos que apostar cada vez mais no cultivo da cultura.
Verdade se diga que devagarinho, ao longo dos últimos anos, temos assistido a um maior esforço nesse aspecto, de algumas pessoas que se interessam por trazer diversidade cultural à Madeira. Especialmente na vertente musical, designadamente com festivais de Jazz. E até mesmo no plano do Teatro, com algumas peças que por lá têm passado. Ainda assim, não é suficiente, ainda que seja de louvar tais iniciativas por parte de quem as tenha tomado.
Fico deveras contente com o facto de termos cada vez mais opções. As assimetrias são grandes, especialmente para quem se habituou a viver nas metrópoles, onde nos habituam com uma panóplia diversificada (minimamente) ao nível da culura seja ela de que tipo fôr.
Talvez assim, haja uma mudança de mentalidades e se abram portas até agora nunca abertas para quem nunca de lá saiu...

28/11/06 19:18

 
Anonymous stanica said...

Uma "lufada de ar fresco" é o que representa a abertura da FNAC na Madeira. Ninguém gosta de admitir que somos limitados, mas a realidade é que o somos e muito no aspecto cultural na nossa ilha! A insularidade nota-se nessa vertente. Temos que apostar cada vez mais no cultivo da cultura.
Verdade se diga que devagarinho, ao longo dos últimos anos, temos assistido a um maior esforço nesse aspecto, de algumas pessoas que se interessam por trazer diversidade cultural à Madeira. Especialmente na vertente musical, designadamente com festivais de Jazz. E até mesmo no plano do Teatro, com algumas peças que por lá têm passado. Ainda assim, não é suficiente, ainda que seja de louvar tais iniciativas por parte de quem as tenha tomado.
Fico deveras contente com o facto de termos cada vez mais opções. As assimetrias são grandes, especialmente para quem se habituou a viver nas metrópoles, onde nos habituam com uma panóplia diversificada (minimamente) ao nível da culura seja ela de que tipo fôr.
Talvez assim, haja uma mudança de mentalidades e se abram portas até agora nunca abertas para quem nunca de lá saiu...

28/11/06 19:18

 

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