Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

segunda-feira, julho 03, 2006

Uma História de Ligações inesquecíveis e para sempre memoráveis… ( já que estamos numa de desabafos...)

Ter 16 anos e um mundo à cabeceira é das melhores sensações que podemos ter!
Sentir que se tem o mundo aos nossos pés e poder desencadear uma série de situações e desfrutar dos momentos sem qualquer sentimento de culpa. Aquelas sensações de liberdade, com as hormonas aos pulos e sentimentos à flor da pele. O que interessa é aproveitar ao máximo o tempo que se tem, com aquilo que nos está a saber tão bem.
Se, porventura, estamos atrasados para jantar, ou simplesmente porque já está na hora de ir para casa porque no dia seguinte há aulas, nada disso tem importância.
O idealismo que se cultiva, todas aquelas ideias e certezas de que um dia o mundo será nosso, que vamos conseguir mudá-lo “no matter what” é tão bom, um indicador da ingenuidade que se tem, e que tanta falta nos faz à medida que vamos crescendo.
Efectivamente, nunca consegui perceber porque é que aquela ingenuidade ou genialidade nos é retirada com o decorrer dos anos, mais concretamente com aquilo a que chamamos de amadurecimento?!

Foi assim que tudo começou… com muitas ideias e muita vontade de crescer. Notando-se já as alterações físicas e mentais, com a mania que somos extremamente pertinentes no que opinamos. No meio de olhares e conversas houve a empatia, a primeira. Contudo, não se pode mostrar que ela existe, não vá ele pensar que é o maior e que já a cativou. Nada disso! Há que mostrar alguma indiferença, firmeza como se fosse um qualquer. Os dias foram passando e entre conversas e confissões aos melhores amigos da altura sobre aquele sentimento estranho, novo mas bom, que é o de se gostar de alguém. Os amigos decidem juntar-se para os juntar, e no meio disso surge a primeira ligação. Com jeitos ainda atabalhoados mas com muita certeza de querer algo mais que um sorriso há um primeiro contacto mais íntimo, o beijo. Beijo que sabe tão bem, que não se quer parar. Num dia de primavera, a faltar a uma aula e a um treino de fim de tarde, embora com muita chuva mas com uma vista sobre o mar que jamais esquecerão, tentaram esticar o tempo, perdendo-se um, dois autocarros de regresso a casa. Descasca garantida, mas não interessa! Valeu a pena!!! Infelizmente é 6ª feira, um moroso fim-de-semana intromete-se. Escusado será dizer que nunca houve tanta vontade de chegar a 2ª feira para regressar ás aulas.
O retorno à escola, o trocar de olhares só trouxe mais certeza, o que ali se passava era mútuo, ninguém hesitou. Os olhares não desmentiam, ninguém parece ter mudado de ideias. Queriam estar juntos, a vontade era quase incontrolável. Assim no meio de tudo e todos, criando a estupefacção geral, andaram de encontro um ao outro e oficializaram sem palavras que estavam juntos.
Era tudo tão simples, tão pueril… Que saudades de tanta transparência, sem qualquer tipo de maldade, os sentimentos ali absolutamente expostos com toda a ternura e ingenuidade de quem tinha despertado para a vida num sentido que nunca vira anteriormente. Confuso? Acho que foi, não saber bem o que se estava a passar. Mas bom? Absolutamente! Inesquecivelmente bom!!!
Frequentemente questiono se já todos tiveram o prazer de experenciar tamanha sensação?! Mas que interessa isso? Estavam lá eles os dois e aconteceu, isso é unicamente o que importa.

O tempo correu naturalmente, os anos passaram. Encontros e desencontros foram-se sucedendo. Sem estar na dúvida, porém, que jamais esqueceriam tudo o que entre eles se passou. Sempre foi consensual, por muitos desentendimentos que tivessem havido, nunca puseram em causa o sentimento que nutriam um pelo outro.
Durante mais ou menos um par de anos cada um seguiu o seu rumo. Separados mas nunca desligados, cada um caminhou. Surgiu um reencontro numa cidade diferente, desta vez com a certeza que jamais andariam em direcções opostas. Era contra natura a separação. Mais maduros e mais conscientes uniram-se para jamais se separar, pelo menos assim pensaram que seria…
Toldados pela visão que somente a paixão e o amor que durava desde a adolescência é que importava e que resolveria todos os problemas, cegos pelo desenrolar dos acontecimentos nunca desconfiaram que tudo aquilo podia desvanecer. Mas desvaneceu e a relação esvaiu-se em desalento e em incontrolável desmoronamento. Por culpa de quem? Dos dois, sem dúvida que de ambos! Presunçosos o suficiente para pensar que jamais as coisas dariam errado porque sentiam ter aquilo que consideravam poucos terem tão genuinamente como eles. Não cuidaram da única certeza que podiam ter nas suas vidas. Desoladamente cada um foi para seu lado. E agora? Agora não há certezas. Que outras restam? Nenhuma… O que é que se pode dizer? Nunca maltratar o que pensarem ser o vosso bem mais precioso.

 
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