Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quarta-feira, novembro 30, 2005

À devida distância...


Passados cinco anos o regresso aproxima-se... A dez mil metros de altitude e cinco anos de distância o meu mundo tornou-se pequeno...

terça-feira, novembro 22, 2005

Muçulmanas

Não sou feminista, nem tão pouco fã do movimento. Condeno qualquer tipo de fundamentalismo seja ele de que tipo for! Não acredito em posições extremistas, mas sim no equilibrio.
De qualquer modo venho falar no papel da mulher cada vez mais preponderante na nossa sociedade. Para além de sermos já uma maioria a nível populacional, são cada vez mais os sectores em que a presença feminina acontece. Sectores esses em que a "nossa" presença seria impensável a alguns anos atrás. Foi preciso um longo caminho de "batalhas" para chegar onde chegámos hoje.

Isto leva-me a um tema delicado que concerne ás mulheres muçulmanas. Não quero, nem posso ser presunçosa a ponto de dizer que a cultura ocidental é melhor que a cultura muçulmana. É certo que como qualquer mulher ocidental petrifica-me algumas das práticas contra as mulheres nos países muçulmanos. Mesmo assim não consigo com veemência dizer que sou melhor, por muito que, ás vezes, me custe compreendê-los.

Todavia, cabe a todos, não só as mulheres, críticar a prática de actos de violência orientados contra as mulheres nesses países e bem dentro da europa. Actos como a mutilação do corpo, mantê-las fechadas dentro de casa como prisioneiras. Bem aqui no meio de "nós" ainda se fazem mutilações por questões culturais. Não se permite que as raparigas frequentem a escola, não tendo qualquer tipo de acesso à educação. Já me apercebi que a melhor ferramenta ou arma que se pode ter é a educação, por isso a melhor maneira de controlarmos as pessoas é negar-lhes essa educação para melhor controlá-las!
Ainda se praticam os crimes de honra contra as mulheres turcas na europa, onde toda a familia se reúne e discute sobre o homícidio, e onde o homícida sai impune.

Ayaan Hirsi Ali é uma deputada holandesa-somali que tem dado a voz e o corpo a esta luta. Natural da Somália tem encabeçado uma luta que bem sabe que lhe pode custar a vida. E que sabe que seria impossivel no seu país natal e nos países da mesma índole, referindo que já há muito que teria sido decapitada por dizer as coisas que tem dito.
Apesar de estar na europa é alvo de muitas ameaças, e para espanto de muitos, ameaças essas vindas de jovens europeias que se converteram ao islamismo.
Theo Van Gogh amigo de Ayaan foi assassinado no ano passado em Amesterdão em virtude de um filme que estava a realizar sobre as mulheres e o islão, por um muçulmano fundamentalista que estava contra o filme.

Para findar, Ayaan na entrevista citou Jonh Stuart Mill que em tempos (1869) dissera: "As sociedades que oprimem as mulheres são sociedades pobres". Eu reformulo: As sociedades onde reine a opressão contra os seus cidadãos são sociedades pobres!!!

quarta-feira, novembro 16, 2005

ÉTiCA

Recomendo um artigo publicado na revista Visão desta semana de Miguel Carvalho que se intítula "Escumalha". Para quem não tiver tempo ou oportunidade fica aqui então um cheirinho do artigo que espero despertar a vossa atenção e curiosidade.

O entrevistado é Adil Jazouly, um conotado sociólogo marroquino, especialista em conflitualidade social. Este sociólogo aborda o tema numa perspectiva diferente daquela a que nos habituámos e que dá muito que pensar. Referindo-se aos jornalistas como "agitadores sociais", autênticos manipuladores capazes de tudo, nem que implique "fabricar" as imagens do momento, os chamados "Directos".
No caso particular francês, que tem sido extremamente noticiado, Adil Jazouly menciona que há jornalistas que pagam aos miúdos para atear fogo aos carros e assim conseguir as imagens para o "Directo". Dizendo que este método jornalistico não é exclusivo de França nem tão pouco uma prática recente (exemplificando com o caso da revolta nos suburbios de Lyon no ano de '81).

Agora pergunto eu: onde está a ética dos profissionais que recorrem a este tipo de métodos?
Será uma disciplina na faculdade, onde se apreende "teatro jornalistico" ?
Cada vez mais o jornalismo vive de audiências, apelando ao sensassionalismo e para isso há que mostrar muita desgraça.
Hoje em dia parece que se trata a ética e a moral como um "elástico" , que vamos puxando até não dar mais... Há coisas que não se esticam! Fabricar imagens é esticar demasiado o "elástico" !!!

terça-feira, novembro 08, 2005

As minorias

Não está nada fácil controlar a ira e revolta de parte da população francesa. Os motins têm sido uma permanente ao longo das últimas semanas. Fenómeno que está a expandir-se a todo o país. Bem aqui perto de nós a França até o "recolher obrigatório" decretou na tentativa de salvaguardar os interesses da sua população. A situação, aparentemente, não tende a melhorar...
A questão que se coloca é se Portugal vai "importar" mais um dos fenómenos franceses, uma vez que em Portugal temos muito a "mania" de importar as ideias e ideais franceses.
Portugal assim como a França, têm uma elevada taxa de emigrantes. Emigrantes esses que, infelizmente e na sua grande maioria, em especial aqueles que se fixam nas metrópoles em busca de melhores condições de vida, acabam por sucumbir à tentação da prática do crime face ás desigualdades sociais, numa luta para sobreviver numa moderna sociedade que mais se vai parecendo com uma "selva industrial"!

Há alguns anos atrás era muito bom ter-se emigrantes na construção de um país, estes não eram exigentes, não se importavam de ter grandes condições desde que saissem da miséria dos países de onde eram naturais. Aproveitar-se de mão-de-obra barata e ainda por cima não exigente dava muito jeito. Mas as sociedades evoluem e as gerações vindouras já não se consideram simplesmente emigrantes, mas sim naturais do país que acolheu os seus pais e lhes deu oportunidade de melhores condições de vida. Todos um pouco em busca de uma espécie de "American Dream" europeu. E nesse sentido acabam por sentir que não são tratados como tal, acabando por revoltar-se. Apercebendo-se que as desigualdades são bem patentes e as oportunidades bem menores.

É um problema deveras complexo, porque ,pessoalmente, não creio que a "Culpa" esteja toda só de um lado. Esperemos que "Nós por cá" não tenhamos que passar pelo mesmo...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Inside Deeptroath

Não venho aqui falar de pornografia mas de um filme que aborda a temática. Em 1972, numa altura em que a pornografia ainda não tinha invadido a Internet, a televisão e o mercado de vídeo e em que o 'fellatio' era considerado um «detestável crime contra a natureza», um pequeno filme rodado em seis dias com um orçamento de 25 mil dólares, tornou-se um fenómeno ímpar na história do cinema. Este documentário de Fenton Bailey vem contextualizar esse sucesso. Com efeito nada à partida apontava para os fabulosos resultados que o filme viria a obter, para perceber a dimensão iconográfica que o filme atingiu temos que ter em conta que tudo sucedeu numa altura em que a América moralista de Nixon debatia a Lei da Obscenidade. O governo federal precisava de dar um exemplo e o filme Garganta Funda foi o alvo. No dia de estreia, um cinema obscuro de Nova Iorque é invadido por agentes federais devidamente acompanhados por todo o circo mediático da época. Assim nasceu um ícone do cinema mundial. Bad publicity is publicity, mais ainda numa altura em que a luta pela liberdade sexual e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres estava no auge. Um filme condenado à partida a um circuito obscuro torna-se pela perseguição política de que foi alvo um símbolo de uma época tumultuosa em que a América começava a "descobrir" a liberdade sexual. O Garganta Funda é sem sombra de dúvida o filme com maiores repercussões a nível histórico e sociológico alguma vez feito. Façam esta experiência, vejam o filme antes e depois do documentário e constatem as diferenças que se operam no vosso olhar. O que era antes um filme pornográfico transforma-se num documento histórico. Um filme de Fenton Bailey e Randy Barbato com Narração de Dennis Hopper a não perder numa sala de cinema perto de vocês, ou façam como eu e apoiem a causa e cigana e comprem-no na feira mais próxima da vossa residência.

 
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