Porque o mais provável é ninguem ligar ao que tens a dizer...

quinta-feira, abril 14, 2005

O tiro ao Pombo...

Ontem fui pela 1ª vez assistir uma audiência ao Tribunal. O caso em discussão era, literalmente, o Tiro ao Pombo. Como autor da acção tinhamos a Associação de Defesa e Protecção do Animal, e como reú o Clube de Tires da Póvoa do Varzim.
Honestamente, não fazia a menor ideia de que havia a Taça de Portugal de tiro ao Pombo e que havia um Campeonato Nacional na modalidade, digo modalidade porque é encarado como um desporto.

Em discussão estavam factos como: os Pombos são alimentados durante a viagem que fazem desde a Galiza até à Póvoa do Varzim? São arrancadas as penas da cauda a sangue-frio, provocando dôr? Existem pessoas especializadas, licenciadas na prática de arrancar as penas aos Pombos? Quando estes são alvejados e caem no terreno e não têm morte imediata, existem pessoas que vão lá partir-lhes as cervicais para findar com a dôr do Pombo? E quando os Pombos caem fora do perímetro? E o que é que se faz com o Pombo depois de morto, dá-se a Instituições de caridade para a alimentação?

Bom, estas foram algumas das questões que andaram à volta da disussão. Ficou, efectivamente, provado que os Pombos são oferecidos a instituições de caridade; que não há, obviamente, pessoas formadas no tirar as penas do (perdem-me a expressão) cu do Pombo; houve uma estatística interessante quando o advogado de acusação perguntou se de 3 em 3 segundos havia alguém dentro do terreno que ía partir as cervicais do Pombo quando este não estava completamente morto, para evitar o sofrimento do animal. E a resposta foi muito prontamente dita que de 3 em 3 não, mas de 30 em 30 segundos sim!;

Bem, eu muito sinceramente (e sei que esta minha posição há-de enfurecer algumas pessoas, ou talvez a maioria daquelas que lerem este Post...) considero que o tiro ao Pombo e as Largadas (outra distinção que se tentou fazer em Tribunal) não são assim tão chocantes. Compreendo as duas posições, isto é, entendo o repúdio de uns, mas também percebo o divertimento de outros.

Em conversa com uma Amiga falei-lhe do aspecto cultural e tradicional da actividade, isto porque ela tomou a posição da Associação. Em resposta disse-me que a Tradição não pode ser resposta para tudo. É verdade, sem dúvida alguma que o é! Acontece que a Lei, o Ordenamento Jurídico não é um conjunto de linhas em abstracto sem o menor sentido. A Lei adapta-se às circunstâncias, ao elemento cultural de cada País. A Lei não pode estar à frente desses elementos. E por isso é que os Ordenamentos diferem de País para País. Não se pode, do nada, pedir que se acabe com séculos de Tradição.
Contudo, as mentalidades evoluem, e com quase certeza absoluta esta Tradição há-de desvanecer, e a longo prazo acabará por extinguir-se esta prática.

Para findar gostaria de partihar uma cena que achei hilariante no decorrer da audiência.
A partir de teleconferência, o Presidente da Associação de Defesa e Protecção do Animal contou muito comoventemente (na tentativa de sensibilizar a Juíza, muito à semelhança daquilo a que estamos habituados a ver nos filmes norte-americanos) que de manhã quando foi pôr a filha de 6 anos à escola, esta preguntou-lhe o que ía fazer a Tribunal. Este respondeu que ia defender os Pombos, porque faziam mal aos Pombos. A menina então disse: "mas Papá os Pombos não são o símbolo da Paz"?

2 Comments:

Blogger MB said...

Também é tradição em Portugal bater na mulher, andar sempre acima do limite de velocidade, escarrar para o chão, coçar o tomate... "Ó senhor Guarda ta certo que bati na minha mulher quando ia falando ao telemovel, em sentido contrario na autoestrada, sem cinto de segurança.... mas afinal... tradição é tradição...!!!"

14/4/05 17:29

 
Anonymous TEX said...

Adorei o comment!...
MB....esquece essa justificação de mer....este tipo de tradiçoes nao podem ser discutidas pois, se crescesses nesse meio tambem o eras.
Apenas temos de respeitar.
nao tenho mais nada a dizer...

3/3/09 18:45

 

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